Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 29/10/2018
O documentário “A vacina que mudou o mundo” narra a luta do cientista Jonas Salk em descobrir um método de imunização capaz de proteger a população de uma doença que assolava o século XX: a poliomielite. Entretanto, apesar dos avanços nesse campo, a baixa adesão às vacinas configura-se um desafio para o Brasil, fruto da distribuição irregular dos recursos e da desinformação. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes para reverter essa problemática.
Primordialmente, o filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direito ao respeito e à consideração por parte do Estado. Nessa lógica, faz-se notório que na prática isso não é cumprido, uma vez que mesmo o Estatuto da Criança e do Adolescente -ECA- prever que a vacinação é um direito do indivíduo, a distribuição desigual dos recursos pelo território brasileiro faz com que a gestão municipal de programas de imunização seja falha, levando, consequentemente, a surtos de doenças antes controladas, como o sarampo no Norte do país. Dessa forma, fica evidente a urgência de políticas públicas para reverter esse quadro. Concomitantemente à questão da distribuição de capital, vale destacar a influência do movimento antivacina, como propagador de informações sem cunho científico, no que tange a importância da imunização. Nesse sentido, ao colocar-se em dúvida a confiabilidade das vacinas, principalmente por meio de estudos fraudulentos, como o do médico Andrew Wekelfield, além de gerar desinformação também fere a bioética, já que o ato de vacinar não é apenas uma decisão pessoal, mas também uma questão de responsabilidade coletiva, que compromete diretamente o bem-estar da população. Reforçando, desse modo, a importância de mecanismos para conter esse retrocesso social.
Portanto, a queda nas taxas de vacinação configura-se um obstáculo para a nação brasileira. Para que haja mudanças, o poder Legislativo deve fiscalizar se o repasse de verbas para a imunização da população está sendo feito de maneira homogênea, por meio de relatórios fornecidos pelas prefeituras, no qual constará o capital recebido pelo município e a quantidade de vacinados, a fim de evitar que doenças antes controladas retornem ao país. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde a divulgação de informações sobre a importância da vacinação, por intermédio de propagandas e campanhas, com a finalidade de sanar qualquer dúvida que a população venha a ter sobre o assunto.