Desafios para combater a violência estrutural no Brasil
Enviada em 03/11/2023
A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, garante, em suas disposições, uma série de direitos sociais. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe, na sociedade brasileira atual, é a não plenitude da mesma na prática, visto que a violência estrutural é um grave problema que vive às sombras da sociedade, em razão do silenciamento e da negligência governamental.
Em primeiro plano, nota-se que o silenciamento é fator relevante ante a resolução do cenário. Em consonância a isso, a escritora brasileira Martha Medeiros discorre, em uma de suas obras, sobre a falta de debate social, afirmando que o indivíduo silencia aquilo que ele não quer que venha à tona. Desse modo, é notória a relação da afirmação da autora e a questão da violência estrutural no Brasil, uma vez que o Estado brasileiro não promove a possibilidade de debate acerca da problemática, o que possibilita que a vontade da maioria se sobreponha às liberdades individuais, causando assim um abismo educacional e social.
Em segundo plano, a negligência governamental tem papel coadjuvante em relação ao imbróglio. Nesse sentido, Aristóteles diz, em seu livro “Ética a Nicômaco”, que a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Entretanto, é fácil perceber que, em relação à violência estrutural no país, essa disposição de Aristóteles não se consuma na realidade brasileira, uma vez que o Poder Público não cumpre seu papel legislativo. Como reflexo disso, cerca de 41 mil pessoas são assassinadas violentamente por ano, segundo dados do G1 (2022). Assim sendo, faz-se necessário a reformulação de tal postura estatal irresponsável e negligente.
Em conclusão, é imperioso a resolução dos impasses. O Ministério da Educação, por meio de palestras nas escolas e universidades, deve criar campanhas de debate social, que possibilite a discussão de assuntos silenciados socialmente como a violência na sociedade brasileira. Tais debates devem extrapolar o espaço acadêmico, com transmissões ao vivo pelas redes sociais, por exemplo, para aumentar a possibilidade de discussão e para que toda sociedade tenha conhecimento do assunto. Espera-se, dessa forma, que a questão deixe de ser um assunto desconhecido e tenha possibilidade de ser minimizado.