Desafios para combater a violência estrutural no Brasil

Enviada em 30/10/2023

Após a abolição da escravatura, em 1888, não houve tutela do poder público aos ex-escravizados e,por conta disso, essa massa de flagelados rumou às periferias, locais de precariedade de serviços públicos e elevados índices de violência urbana. Consequentemente, observa-se que a violência que assola o país tem como fatores de impulsionamento a exclusão social e a dificuldade de superar essa chaga.

À priori, convém pontuar que o momento histórico que sucede a questão abolicio-

nista consiste na tentativa de dificultar a vida do negro na sociedade. Para alcançar esse objetivo, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, no começo do século passado, institucionalizou a política higienista, isto é, praticamente uma limpeza étnica na cidade do Rio. Assim, nessa toada, o processo de favelização aumentou ainda mais e os indivíduos segregados socialmente viam no crime uma solução rápida e fácil aos problemas que enfrentavam. A violência, de natureza estrutural e sistêmica, tem raízes nítidas, conforme se observa pela impossibilidade de ter uma vida digna em uma sociedade tão desigual.

Ademais, é válido ressaltar que as reflexões sobre violência no seio da sociedade têm despertado a curiosidade de estudiosos. Entre eles, Djamila Ribeiro, que afirma, entre suas tesses, que deve-se retirar uma questão da invisibilidade para que ela seja devidamente combatida. Nesse sentido, conclui-se que é necessário resgatar na cerne da formação do corpo social brasileiro as verdadeiras causas da existência e permanência dessa problemática no cotidiano dos brasileiros. Somente com a lógica de causa e efeito será possível entender o que se passa nesse país e, dessa forma, buscar as medidas necessárias para mitigar esse mal.

Portanto, para resolver essa situação calamitosa que assola o país, deve-se investir na ampliação das garantias constitucionais, como o direito à segurança e educação. Assim, cabe ao Poder Executivo -órgão incumbido da representatividade do povo- a tarefa de aumentar as verbas direcionadas ao combate preventivo à violência. Para isso, é importante aproveitar a ponte entre indivíduo e Estado, proprocionado pelo ambiente escolar. Enfim, por meio de campanhas de conscientização e aumento de vagas em cursos técnicos, será possível tecer uma juventude ciente das conse-

quências da violência e, ainda, garantir empregabilidade e estudo de qualidade.