Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática dos desafios da prática de leitura no Brasil. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e como a falta de incentivos pode afetar a população brasileira.
Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com a prática de leitura no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6º da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, o lazer. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de incentivo acerca da necessidade da leitura, seja pelo pouco espaço destinado a leitura no cotidiano. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate aos desafios para a prática de leitura.
Ademais, é preciso apontar a falta de incentivos dos familiares e da escola, como outro fator que contribuiu para a pouca procura de livros, gerando certo distanciamento na prática da leitura. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), feita em 2019, indica que famílias com até 2 salários mínimos não consomem livros, mas famílias com renda superior a 10 salários mínimos o consumo é maior. Diante de tal exposto, é possível perceber que com as desigualdades sociais faz com que menos indivíduos se interessem pela leitura, principalmente quem não tem condições de comprar, que é a grande maioria da população.
Portanto, é imprescindível que o Ministério Público, cujo dever, de acordo com o artigo 127 da “Constituição Cidadã”, é garantir a ordem jurídica e a defesa dos interesses sociais individuais disponíveis, cobre do Estado ações concretas a fim de combater os desafios para a prática de leitura. Entre essas ações, deve-se incluir parcerias com plataformas midiáticas, nas quais propagandas de apelo emocional, mediante depoimento de pessoas que tiveram a influência da leitura no cotidiano, deverão conscientizar a população acerca da importância dos livros na vida dos indivíduos. Essas medidas devem ser realizadas, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara. Tais medidas visam combater o impasse de forma precisa e democrática.