Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/11/2021

De acordo com o pedagogo Paulo Freire, é por meio da educação que o indivíduo é capaz de ler o mundo a sua volta e transformar a sua realidade. Todavia, no Brasil, os desafios para a prática da leitura são um entrave para a efetivação do pensamento desse educador. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: a desigualdade social vigente no país e o frágil estímulo para a prática da leitura.

A priori, é importante mencionar o quanto a desigualdade social é um desafio para a leitura no Brasil. Contata-se essa realidade pelo fato de que na época do Brasil Colônia, apenas os nobres -ricos- tinham acesso aos livros e ao processo de alfabetização. Entretanto, mesmo que hoje esse acesso seja mais democrático, em parte, ainda há resquícios da época colonial, visto que os preços dos livros, muitas vezes, tornam esse objeto um “artigo de luxo”. Isto é, para a população mais vulnerável socioeconomicamente, o livro e a prática da leitura, são vistos como um privilégio das pessoas de maior poder aquisitivo. Por conseguinte, nota-se que estimular a prática da leitura no país, perpassa, também, pela desconstrução da ideia de que o livro não é um objeto essencial para a sociedade.

Outrossim, a ausência de estímulos efetivos para a prática da leitura na nação Verde-Amarela é mais um entrave para essa problemática. Observa-se isso por meio do documentário “Pro dia nascer feliz”, o qual mostra a realidade de diversas escolas em que o livro é considerado apenas um objeto de consulta para a realização de trabalhos. Diante desse cenário, os estudantes desconhecem sobre o quanto a educação pode ser libertadora por meio da leitura, ou seja, o hábito de ler é considerado “obrigatório e monótono” e não uma atividade estimulante, de modo que isso torna-se um empecilho para a formação de indivíduos leitores.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para incentivar a prática da leitura no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC) instituir, em todas as escolas, a disciplina “Ler e transformar”. Isso deve ser realizado por meio de aulas semanais, nas quais, com o intermédio de vídeos, palestras, gincanas e apresentações teatrais, os alunos realizem a leitura e interpretação de obras de sua preferência e também das consideradas essências na grade curricular. Atrelado a isso, o MEC, em parceria com o Ministério da Economia, deve oferecer incentivos fiscais para as livrarias que subsidiarem o acesso ao livro, sobretudo, para as populações mais vulneráveis, com o fito de tornar esse objeto mais acessível e estimular a prática da leitura. Dessa forma, a nação brasileira será composta, de fato, por uma sociedade leitora.