Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/11/2021

O livro Fahrenheit 451 do escritor norte-americano, Ray Bradbury, narra a história de uma sociedade futura em que os livros são proibidos. Nesse sentido, o governo queimava qualquer livro existente a fim de evitar que as pessoas desenvolvessem um pensamento crítico sobre a situação. Fora da ficção, é fato que os livros são instrumentos fundamentais na formação de cidadãos engajados. Entretanto, no Brasil, o hábito da leitura é, ainda, pouco incentivado, o que atrasa o avanço da educação no país. Com isso, cabe a análise acerca dos desafios que impedem a prática da leitura no Brasil bem como os efeitos desse fato para a educação brasileira. De início, é válido ressaltar que o fato de o hábito da leitura não estar enraizado como uma tradição nas famílias brasileiras é um dos fatores que desacelera o avanço desse costume no Brasil. Isso porque, segundo pesquisas da Retratos da Leitura, 44% dos brasileiros não têm esse hábito, o que mostra que o costume de ler está ausente em boa parte das famílias. Nessa perspectiva, o perfil da família brasileira não é um perfil leitor e, segundo a socióloga Émile Durkheim, a família possui um papel importante no estabelecimento de costumes. Assim, muitos indivíduos crescem dependentes apenas da escola para receber o incentivo da leitura. Por conseguinte, observa-se que as taxas de analfabetismo funcional permanecem estáticas diante dessa situação. Isso porque, a alfabetização durante os primeiros anos da escola segue sendo uma exigência, entretanto, a leitura é pouco incentivada nesse processo. Sendo assim, o Brasil tem formado indivíduos letrados, mas com pouca capacidade de interpretação. Prova disso são os dados do Inaf- Instituto de Alfabetismo Funcional que mostram que 29% da população brasileira possui dificuldades de entendimento e interpretação. Portanto, são necessárias medidas para promover a prática da leitura no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação a criação de um projeto de leitura familiar nas escolas de ensino fundamental e médio para reforçar a importância do exemplo e firmar o costume da leitura nas famílias. Isso seria efetivado por meio de encontros semanais ou mensais com debates sobre literaturas determinadas pelos professores de acordo com nível de escolaridade dos alunos e famílias. Essa proposta tem por finalidade incentivar a leitura não só para as crianças, mas também para os pais, mudando o perfil da família brasileira e fazendo com que, aos poucos, a leitura se torne um hábito agradável, e não uma obrigação acadêmica.