Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 24/11/2020
Ao longo da antiguidade, entre os séculos V e III a.C., diversas bibliotecas foram criadas com o intuito de fomentar o crescimento intelectual da aristocracia da época, entre elas a Biblioteca de Alexandria e a de Nínive. De maneira análoga, no contexto hodierno brasileiro o interesse pelos livros como forma de aprimoramento pessoal alcançou as mais diversas classes sociais. Apesar disso, perpetua-se a problemática dos desafios para a prática da leitura no Brasil, cuja população lê cada vez menos, seja pela queda da popularidade da literatura, seja pela erudição associada ao hábito de ler.
Em primeira análise, é importante destacar que devido ao rápido crescimento do acesso à tecnologia, formas de entretenimento rudimentares têm perdido espaço para as novas. Segundo dados da Folha de São Paulo, o tempo que o brasileiro assiste televisão é trinta vezes maior que o tempo que ele passa lendo. Em contrapartida, antes da popularização da TV e do rádio, o hábito da leitura era mais comum e partilhado por grande parcela da população, que enxergava nos livros uma excelente forma de entretenimento. Logo, é preocupante que hábitos tão antigos, importantes e intrínsecos ao homem, como o de ler , tenham uma procura cada vez menor.
Outrossim, vale enfatizar que o “status quo” da literatura é relacionado à alta cultura, o que gera uma elitização em torno da arte. Assim parece ser, porque grande parte da população brasileira acredita que para ler e compreender um livro é necessário um alto grau de instrução, fazendo com que o segmento da população com menor grau de escolaridade não leia. Para o filósofo Platão: “os livros dão alma ao universo, asas para a mente, voo para a imaginação e vida a tudo”. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a prática da leitura deveria ser intrínseca aos indivíduos, pois ela é necessária para o autoconhecimento. Dessa forma, é nociva a possibilidade de obras literárias se restringirem à elite intelectual brasileira, o que gera uma necessidade de inclusão do hábito no currículo escolar de todos os estudantes do Brasil.
É indispensável, portanto, a adoção de medidas capazes de incentivar o interesse dos brasileiros pelas obras literárias e garantir o acesso aos livros. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve adicionar ao currículo escolar um programa que trabalhe o ato de ler dos estudantes desde crianças, de forma gradual e que acompanhe a evolução acadêmica, por meio da distribuição gratuita de livros e horários dedicados de forma exclusiva à leitura. Dessa maneira, por exemplo, o aluno terá contato com volumes recomendados para sua idade e escolhidos por ele mesmo, criando o interesse e inserindo o hábito. Espera-se, com isso, que a longo prazo, a prática de leitura da sociedade brasileira aumente.