Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 24/11/2020
A “Experiência dos Angicos”, realizada por Paulo Freire, alfabetizou mais de trezentos operários em menos de quarenta e oito horas. Nesse viés, os funcionários após aprenderem a ler, tornaram-se capazes de decifrar o contrato de trabalho que lhes eram submetidos e reivindicar os seus direitos garantidos por lei. Assim, de maneira análoga ao ato aludido, a prática da leitura no Brasil mostra-se extremamente difícil, pois os brasileiros preferem os meios digitais ao invés dos livros e a falta de bibliotecas dificulta o acesso as obras.
Mormente, aumenta exponencialmente o número de brasileiros na rede mundial de computadores, mas diminui drasticamente a quantidade de leitores. Nesse sentido, segundo o G1, nos últimos quatro anos 80% da população do Brasil usufruiu pelo menos uma vez mensalmente da internet, porém a parcela de legentes caiu aproximadamente 10%. Analogamente, de acordo com o Ministério da Educação (MEC), durante todo o ensino médio as alunos leem em média apenas três livros. Logo, frente aos dados supracitados, nota-se que existe uma notória preferência pelo âmbito virtual ao invés da leitura, condição que mostra-se assustadora e de complicada reversão, pois existe um déficit de campanhas advindas do Estado que incentivem a prática da leitura como um hábito que deve ser desenvolvido, cultivado e praticado.
Ademais, existe uma grande inópia de bibliotecas na república federativa do Brasil. Sob tal ótica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país oferece em média uma biblioteca para trinta e três mil habitantes. Paralelamente, de acordo com o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), mais de cinco mil cidades brasileiras não dispõem de uma livraria sequer. Com isso, é visível que a falta de um ambiente propício para a leitura influencia diretamente na quantidade de leitores, pois sem a existência de um espaço público que democratize o acesso aos livros gratuitamente e proporcione o empréstimo deles, conseguir uma obra torna-se mais difícil por fatores geográficos e financeiros.
Portanto, ações fazem-se necessárias para aumentar a prática da leitura no Brasil. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, crie uma biblioteca em cada cidade do país e duas vezes por mês alunos de escolas municipais, estaduais e particulares visitem os espaços públicos de leitura. Desse modo, os estudantes terão um maior contato com os livros e consequentemente com a descodificação. Somente assim, o quadro atual será sanado, proporcionando novas atos de empatia educacional igual a “Experiência dos Angicos”, realizada por Paulo Freire, agora nos cidadãos brasileiros do século XXI.