Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 25/11/2020
Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que externos consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário dos desafios para a prática da leitura no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento da submissão às redes sociais, além do escasso acesso à livrarias gratuitas Sendo assim, convém ressaltar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associada ao desinteresse pela leitura não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Por outro lado, o escritor austríaco, Stefan Zweig, afirmou em sua obra literária, do século XXI, que o Brasil era um país do futuro e grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser efetivadas. De maneira análoga, as redes sociais, intrinsecamente ligada à internet, viralizaram dentre os meios de comunicação por serem dinâmicas, ágeis e efetivas, o que promove uma interação em larga escala. Entretanto, o uso exacerbado de tal ferramenta acarreta em uma subordinação para com as redes, o que restringe o acesso às várias esferas que compõem o ciberespaço, como livros digitais e artigos científicos, acentuando, gradualmente, o déficit e a apatia pela prática leitura.
Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura da falta de bibliotecas públicas nas cidades é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Por conseguinte, frações da nação se veem sem oportunidade de consumir, por exemplo, livros e obras literárias, pelo fato da popularização de livrarias - como a “Saraiva” - que cobram valores exorbitantes a cada exemplar. Portanto, tal impasse gera uma segregação cultural na população, além da elitização do exercício da leitura, provocando um dilema com dimensões sociais cada vez maiores.
Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Sendo assim, urge que a mídia, por intermédio de propagandas televisivas, estimule os indivíduos a consumirem livros online, com o propósito de se desprender da submissão às redes sociais. Além do mais, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, promova a disseminação do acesso à leitura, por meio da construção de bibliotecas gratuitas em áreas estratégicas, para romper a segregação existente, a fim de alcançar a igualdade entre o corpo social. Dessa forma, alcançar-se-á uma sociedade justa, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.