Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/11/2020

No livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, Professor, um dos integrantes do grupo de meninos moradores de rua, era comumente visto furtando livros e repassando as histórias dos mesmos aos demais garotos, uma vez que era o único que sabia e gostava de ler. Paralelamente à realidade brasileira, é notório que o incentivo à leitura é restrito a uma parcela mais privilegiada da população, o que, na vida adulta, traz graves consequências aos indivíduos como o analfabetismo total e o iletrismo. Tais fatores dificultam ainda mais a erradicação dos desafios para a prática de leitura do Brasil.

Segundo o filósofo chinês Confúcio: “Não são as ervas más que afogam a boa semente. E, sim, a negligência do lavrador”. Dessa forma, podemos entender que todos nascemos com potencial, entretanto poucos de nós têm oportunidades, levando em consideração que o Estado é negligente com a Educação e, por consequência, com a inserção da leitura - peça fundamental para o desenvolvimento criativo e cognitivo – no cotidiano das crianças e adultos mais socialmente vulneráveis.

Por conseguinte, o índice de analfabetismo absoluto, bem como o de iletrismo, quando a pessoa é incapaz de entender o que é lido, demora cada vez mais a baixar no Brasil. O PNE (Plano Nacional de Educação) pretendia erradicar este problema até 2024; meta que, de acordo com as pesquisas do IPEA (Instituto de Pesquisas de Economia Aplicada) não conseguirá concretizar-se. Ademais, é necessário reforçar que a introdução ao hábito de ler na infância traria resultados positivos a vida das pessoas e, dessa forma, minimizaria os terríveis dados que o país enfrenta sobre este tema.

Portanto, precisamos tonar leitura acessível a todos. Para tal, o Ministério da Educação deve criar, por meio da implantação, na Base Nacional Comum Curricular, de um novo período obrigatório destinado somente a leitura nas séries iniciais, sendo esse ministrado de forma lúdica, para que instigue na criança o gosto e costume de ler. Ainda, em parceria com o Ministério da Cidadania, deverá promover eventos comunitários de distribuição de livros à parcela marginalizada do país, logo que essa vive excluída da cultura literária. Assim, o Brasil poderá, de forma mais eficiente, extinguir este problema.