Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/11/2020
A população francesa ler em média mais de 50 livros no ano, evidenciando um dos motivos para que tenham níveis elevados de educação. Neste contexto, a realidade brasileira é oposta, com baixos índices de leitura, um cenário preocupante que implica no desenvolvimento da sociedade, pois criará cidadãos com pensamentos superficiais e precários. Diante dessa perspectiva, é necessário visualizar as verdadeiras causas do problema, a desigualdade de classes e falta de incentivos para entrar no ‘‘mundo’’ dos livros.
No cenário abordado, é crucial analisar a questão da desigualdade social, já que desde o período colonial apenas a nobreza tinha acesso à leitura, sendo os escravos proibidos de aprender a ler e a escrever. Analogamente, em pleno século XXI, os seres humanos de classe mais baixas também são privados da aprendizagem e dos livros. Prova disso são os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrando que aproximadamente existem no Brasil cerca de 12 milhões de analfabetos. Isso comprova que a desigualdade de classes dificulta o acesso de uns e privilegia outros a adquirir certos hábitos, por exemplo, o da leitura.
Outrossim, vale destacar a falta de incentivo familiar, visto que, atualmente, os pais preferem presentear os filhos com aparelhos tecnológicos - tablets, smartphones e videogames - ao invés de livros. O que eles não percebem são as vantagens que a leitura proporcionará ao longo da vida, para seus filhos, por exemplo, ampliação do conhecimento, senso crítico e enriquecimento de vocabulário. Exemplo disso são os avanços na área do conhecimento que os filósofos da Grécia Antiga tiveram após o surgimento da escrita, que lhes proporcionou um maior compartilhamento de suas pesquisas e teorias, através dos livros que a partir dessa descoberta passaram a existir. Isso mostra como ler é sinônimo de aprender.
Torna-se evidente, portanto, que o governo deve unir-se às empresas, fazendo com que haja um maior acesso de livros às populações mais pobres e projetos de alfabetização dos mesmos, por meio de oficinas educativas e bibliotecas móveis, para diminuir, assim, a desigualdade e o analfabetismo; e aumentar o interesse à leitura. Já a família - que tem o papel de educar e ser exemplo aos seus membros - e a escola devem em parceria, incentivar desde pequeno o indivíduo a ler, por meio de projetos de leitura com o objetivo de crescerem adaptados ao hábito da leitura. Sendo assim, o Brasil será semelhante a França.