Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/11/2020
A prática da leitura encontra, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa constatação pode ser comprovada por meio de dados divulgados pelo Instituto Pró-livro, os quais demonstram que 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude de um legado histórico e da lenta mudança na mentalidade social.
Em primeira análise, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a falta de leitura, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira, uma vez que, nunca foi uma prática comum entre os brasileiros.
Além disso, o problema encontra terra fértil na lenta mudança na mentalidade social. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da falta de leitura é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social no qual a leitura não é vista como algo importante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna a solução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, é preciso que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de programas de incentivo a leitura nas escolas públicas. Esse incentivo pode ocorrer por meio da distribuição gratuita de livros, não apenas para os alunos, mas também para suas famílias. Além de palestras sobre a importância da leitura e como ela agrega na vida de todos e na construção de um país melhor. Essas ações têm a finalidade de promover o aumento da prática de leitura na população brasileira.