Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/11/2020
A obra “A menina que roubava livros”, narra a história de Liesel Meninger, uma jovem alemã que, durante a Segunda Guerra Mundial, encontrou nos livros um novo sentido para sua existência. Na narrativa, evidencia-se o papel transformador da leitura ao passo que esta acabou por nortear de maneira positiva a vida de Liesel em meio a um cenário de guerra hostil. De maneira contrária à ficção, no Brasil, tal aspecto ainda enfrenta obstáculos a sua democratização, haja vista os desafios para a prática da leitura existentes na nação. Dessa forma, em função da postura do Estado em relação a difusão da leitura e das corporações do setor, tal questão torna-se evidente e problemática.
Em primeiro plano, verifica-se, por parte do Estado a ausência de políticas públicas efetivas para difundir o acesso à leitura e, por conseguinte sua habilidade transformadora. Essa lógica pode ser comprovada pelo papel passivo que a Secretaria Especial da Cultura exerce na administração do país. Haja vista, que projetos de incentivo à leitura, desenvolvidos pela secretaria se baseiam, sobretudo, na elaboração de concursos que ofereçam a estudantes da educação infantil e ensino fundamental a chance de escrever e publicar o próprio livro. Embora estimule o protagonismo na escrita, tal iniciativa mostra-se insuficiente, pois consoante aos pensamentos de Moacyr Scliar todo escritor é, antes de tudo, um leitor. Dessa maneira, sem impulsionar de forma direta o prazer pelos livros e pela busca do conhecimento, o Governo atua como agente perpetuador dessa problemática.
Ademais, a negligência de empresas do setor contribui para a ocorrência do problema. Isso decorre, principalmente, da postura capitalista de algumas corporações desse segmento que priorizam o lucro em detrimento do impacto cultural que a leitura pode exercer. Nesse contexto, livros são comercializados com valores acima do que as classes populares podem pagar. Com efeito, o senso comum torna-se inerte a esses indivíduos, uma vez que os elevados preços dessas obras dificultam a sua aquisição por tais seres de modo a distancia-los cada vez mais da reflexão e do pensar crítico, habilidades adquiridas perante à leitura e que, por sua vez, impedem a manipulação dos cidadãos.
Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com a Secretaria de Cultura, integrar à grade curricular projetos que incentivem a criação de oficinas de leitura nas escolas de todo o país, nos quais os estudantes discutiriam sobre um livro que se propuseram a ler durante um período de tempo. A fim de estimular o contato destes com a leitura e com seu caráter transformador, por meio das discussões críticas a serem feitas. Outrossim, o Governo Federal deve oferecer uma porcentagem de descontos na compra de livros. Dessa maneira, a parcela da população que não frequenta mais a escola também seria beneficiada.