Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 09/11/2020

No filme “Matilda”, a protagonista, ao se tornar uma leitora voraz, expande seu conhecimento de mundo, sua criatividade e as possibilidades para a sua vida. Do mesmo modo, no Brasil, a leitura é uma ferramenta capaz de transformar o indivíduo e, consequentemente, a sociedade. Não obstante, o analfabetismo e a estrutura social do país desafiam a formação leitora do brasileiro. Por isso, torna-se necessário o debate acerca desses fatores.

Em primeiro lugar, de acordo com o IBGE, o Brasil ainda tem cerca de 11,8 milhões de analfabetos. Nessa lógica, a deficiência do ensino básico é o primeiro entrave à leitura, pois uma significativa porção da população não tem sequer a oportunidade de aprender a ler e a escrever. Tal cenário contribui para que essas pessoas não tenham acesso às melhores opções de emprego e educação e se sujeitem a um sistema excludente, em uma sociedade que, naturalmente, não oferece as mesmas possibilidades para todos, ao contrário do que ocorre com Matilda.

Outrossim, conforme o Instituto Pró-Livro, 44% dos brasileiros não leem. Esse panorama evidencia, por um lado, que o modelo educativo das escolas não incentiva a leitura pedagógica e sem fins avaliativos, e que, por outro, esse bem de valor imensurável se torna elitizado. Isto ocorre porque as famílias de poder aquisitivo maior tanto podem comprar mais livros quanto, geralmente, dispõem de mais tempo com seus filhos para instigá-los à leitura. Todavia, o mesmo não pode ser observado, por exemplo, em uma família de classe baixa, na qual os pais passam a maior parte do dia em empregos mal remunerados.

Fica claro, portanto, que aumentar a prática da leitura no Brasil envolve transformar e preencher lacunas sociais. Para tanto, a fim de minimizar a problemática, faz-se necessário que o Ministério da Educação insira novas diretrizes para a educação, que envolvam a participação ativa da leitura no processo educador, por meio da reformulação do Plano Nacional de Educação. Ademais, ONGs podem coadjuvar no combate ao analfabetismo e incentivo à leitura mediante a criação de projetos sociais, como bibliotecas e escolas ambulantes. Quiçá, a experiência vivida por Matilda poderá ser partilhada pelo povo brasileiro.