Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/11/2020
A linguagem simbólica é fundamental para a constituição do indivíduo e seu enriquecimento está diretamente ligado à leitura, uma vez que essa permite o acesso às informações necessárias para a expansão do conhecimento, do desenvolvimento da argumentação e do posicionamento crítico do ser humano. Entretanto, no Brasil, a prática da leitura ainda não é efetiva, sobretudo devido à ausência de investimento em bibliotecas públicas e ao índice de analfabetismo. Por isso, é necessário não só analisar as origens e progressão dessa problemática, mas também apresentar soluções ao combate.
De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade pode ser equiparada a um corpo biológico, assim o mau funcionamento de uma instituição pode danificar todo o sistema. Dessa forma, a falta de aplicação do capital governamental em bibliotecas públicas é exemplo desse prejuízo coletivo, uma vez que isso resulta na carência desses institutos em áreas periféricas, na redução da qualidade e também quantidade de livros. Consequentemente, uma grande parcela da população, principalmente a parte de baixa renda, não possui o hábito de leitura, visto que o acesso aos acervos literários não é democratizado e, por conseguinte, essas pessoas têm a sua capacidade de compreender e agir sobre o mundo reduzida, pois o ato de ler estimula o pensamento, a comunicação e o processo de refletir.
Em segundo plano, cabe abordar que a Carta Magna de 1891 criou um sufrágio com menos restrições, todavia ainda impedia o direito de voto aos analfabetos. Nesse contexto, na atualidade, embora conste o sufrágio universal na Constituição de 1998, o índice de analfabetismo ainda é alto, já que, segundo os dados divulgados pelo IBGE em 2019, os analfabetos são cerca de 7% da população brasileira. Desse modo, pode-se mencionar que as principais causas desse fato são a escassez de incentivos à leitura e o Ensino Básico de baixa qualidade. Em consequência, essas pessoas são socialmente prejudicadas, porque não saber ler interfere na comunicação, na criatividade e na aptidão necessária para entender normas, placas e quesitos de segurança.
Logo, a fim de mitigar essa problemática, é essencial isto: que a Secretária da Cultura, em parceria com as prefeituras, invista na construção de bibliotecas públicas nas áreas periféricas e também melhore as instituições já existentes, por intermédio de verbas disponibilizadas pelo governo, com o intuito de fornecer materiais de qualidade e também democratizar o acesso aos livros. Além disso, o Ministério da Educação deve investir na educação básica, por intermédio da qualificação dos educadores e do incentivo à leitura com livros inseridos na grade curricular dos alunos, com o objetivo de fomentar o ato de ler. Portanto, espera-se que, a partir dessas medidas, os desafios para a prática da leitura no Brasil reduzam paulatinamente.