Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/11/2020
De acordo com o livro Desafios da Nação, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura atual, a falta de incentivo à leitura no Brasil. Nesse contexto, nota-se como causa a negligência familiar e a ineficácia do Poder Público.
Em primeiro plano, a família é um dos principais responsáveis por esse problema. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade vive em uma “Modernidade Líquida”. Isso porque o individualismo a falta de empatia e de alteridade são as principais características da contemporaneidade. Diante disso, percebe-se que a falta de leitura é fortemente influenciada pela fluidez das relações, uma vez que, as pessoas crescem inseridas em um contexto social em que seus familiares não incentivam à leitura, e além disso, tem uma visão errônea de que somente a escola é responsável por estimular tal prática, mas não é. Por consequência, crianças e adolescente que sofrem tais influências tendem a adotar esse comportamento, e isso faz com que, segundo os dados do Instituto Pró-Livro, quase a metade da população brasileira não possui o hábito de ler. Urge uma mudança na mentalidade coletiva para reverter esse cenário.
Outrossim, a negligência governamental contribui para perpetuação do problema. Sob essa ótica, o filósofo Jean-Jacques Rousseau, em sua teoria do contrato social, afirmou que é necessário um poder político legitimo, efetivamente comprometido com a cidadania dos indivíduos. No entanto, é evidente o rompimento desse contrato no que concerne a falta de incentivo à prática da leitura, visto que existe uma reduzida atuação do Estado em busca de assegurar os direitos básicos, como incentivo à leitura nas escolas públicas, com projetos literários e bibliotecas bem equipadas. Assim, é notório a ineficiência estatal, o que, além de evidenciar os entraves encontrados pelo Ipea, vai de encontro ao contrato social, demonstrando a imprescindibilidade de políticas públicas que contenham a problemática.
Portanto, é necessário que o Poder Público, em parceria com empresas, deve promover, para professores das redes pública e privada, cursos sobre a importância do incentivo à leitura. Tais cursos devem ser gratuitos e digitais, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores possam influenciar o alunos a ler. Além disso, a mídia, por meio de propagandas educacionais, deve mostrar a importância da família como influenciadora dos hábitos de suas crianças, nelas devem ter pais lendo para os seus filhos, para que as famílias entendam seu papel de educadora.