Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/11/2020

O filósofo inglês Thomas More, no seu livro “Utopia”, discute como seria uma sociedade ideal, ajustada pela inexistência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor idealiza, visto que os desafios para a prática da leitura no Brasil apresentam obstáculos que dificultam a concretização das suas ideias. esse cenário adverso é fruto tanto da falta de investimentos por parte do Estado quanto por fatores sociais.

A princípio, é crucial pontuar que os aspectos governamentais estão entre as causas do problema. Segundo o sociólogo positivista Émile Durkheim, o Estado é a instituição máxima que permite o bom funcionamento da sociedade de forma íntegra, de modo que o equilíbrio seja alcançado. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimentos rompe essa harmonia, uma vez que o sistema educacional peca no incentivo à leitura. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), 51% dos estudantes brasileiros entre 15 e 16 anos estão apenas no nível básico da leitura. Destarte, nesse âmbito, faz-se necessária uma remodelação da postura estatal.

Outrossim, destacam-se os fatores sociais como impulsionadores do problema. Durkheim define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que parte do hábito da não leitura se dá no meio extraescolar, principalmente por meio dos pais, responsáveis ou até mesmo amigos. Tudo isso delonga a resolução do problema, contribuindo para sua perpetuação.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para extinguir esse problema da sociedade brasileira. Dessa maneira, o Tribunal de Contas da União deve direcionar recursos que, por intermédio do Ministério da Educação (MEC), possam ser usados para favorecer o hábito da leitura através do ambiente escolar. Muitos alunos, principalmente os adolescentes, não encontram prazer na leitura pelo fato de a escola exigir leituras das quais eles não se identificam. Visto isso, a escola deve dispor de livros contemporâneos voltados para o público adolescente. Tudo isso por meio da criação de políticas públicas com o objetivo de melhorar a relação entre o estudante e o livro. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, cabe também ao MEC, incentivar, nas escolas, atividades e projetos como ciclos de palestras e feiras de conhecimento que envolvam alunos e sociedade, de modo a abordar sobre tal problemática e oferecer os caminhos de como evitá-la. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais próxima da “Utopia” idealizada por More.