Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/10/2020
“A leitura é a fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente essa sede”. De maneira análoga à da citação de Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro, na sociedade contemporânea, o hábito da leitura encontra desafios para que sua prática, desse tipo de cultura, não seja perdida. Desse modo, em virtude não só da base educacional lacunar, mas também da escassa abordagem da conjuntura, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.
Em primeira análise, é preciso salientar que a omissão do ambiente escolar é perpetuadora da problemática. Segundo o filósofo Imannuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob esse viés, hodiernamente, verifica-se uma veemente influência dessa causa, uma vez que, muitas vezes, a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, já que não tem trazido temas como esse para a sala de aula, em matérias já criadas como, por exemplo, Filosofia e Sociologia, para que os alunos tenham consciência da importância de tal hábito na vida de cada indivíduo. Assim, enquanto as instituições de ensino — peças fundamentais na construção pessoal de cada cidadão — não criarem mecanismos que ajudem na dissolução de tal cenário, a população continuará sendo privada desse meio cultural.
Além disso, outra causa para a configuração do problema é o silenciamento. De acordo com Foucault, na sociedade pós-moderna, vários temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sob tal perspectiva, nota-se uma lacuna em torno dos debates sobre a pratica da leitura no Brasil, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada. Prova disso, é que conforme uma pesquisa feita pelo portal Edição do Brasil, em 2018, foi constatado que 44% da população não tem o hábito da leitura, e que 30% nunca comprou um livro. Logo, indubitavelmente, medidas são imprescindíveis para resolver esse problema.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Destarte, é preciso que as escolas, em parcerias com empresas privadas, incentivem rodas de leitura e discussão no ambiente escolar, por meio de obras literárias da cultura juvenil. Tais empresas podem fornecer os livros e os próprios professores realizarem o processo mediador, elaborando posteriormente, exposições e amostras culturais que divulguem à comunidade o trabalho realizado, a fim de aumentar o interesse dos alunos brasileiros para com a prática da leitura, e, dessa forma, originar um país mais leitor e crítico. Dessa maneira, consoante a Carlos Drummond de Andrade, a população nacional sentirá a sede pela fonte inesgotável de prazer, que é a leitura.