Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/10/2020
Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, era frequentemente explorado por aqueles que detinham o saber. Analogamente, assim também ocorre na conjuntura social brasileira: livros, veículo de informação acerca de outras realidades e pensamentos, é utilizada apenas por uma pequena parcela da sociedade, enquanto a outra metade permanece na ignorância e exploração. Nesse sentido, a atual situação brasileira deve-se a postura familiar frente a questão e a ineficiência da formação literária no sistema escolar.
Em primeiro plano, é imprescindível destacar que a família é fundamental para romper com a visão unilateral presente na sociedade. Como afirmado e analisado na obra de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o menino é o pai do homem. Dessa forma, a insuficiente exposição gradativa das crianças ao mundo literário, devido a inércia parental em estimular e ceder o exemplo ao seus filhos, corrobora para a negligência infantil a respeito do hábito da leitura e, consequentemente, para que o menino desinteressado pela leitura carregue essa personalidade para o homem do futuro.
Sob essa óptica, a atual formação cultural nas escolas agrava a situação. O livro “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder, evidência que jovens, se livres em escolher e estimulados corretamente, podem se interessar pela leitura, a fim de que indaguem sobre a vida e suas atuais situações, como ocorrido com a protagonista Sofia. Dessa maneira, é nítido que a imposição escolar pra que adolescentes e crianças leiam aquilo que não os interessa, contribui no repúdio à leitura, que será perpetuado para as futuras gerações e formará uma mentalidade geral da população antagônica a de Sofia.
Infere-se, portanto, que o atual ciclo de desinteresse pela literatura possibilita a disseminação da ignorância na população. Logo, a mídia deve expor em canais abertos a importância da leitura na formação de adultos, e em especial aos jovens, por meio de discussões com figuras sociais famosas, professores e escritores de literatura e pedagogos, a fim de conscientizar o público da importância da prática da leitura, assim como ceder o exemplo desse hábito às futuras gerações. Além disso, o MEC deve adicionar à Base Nacional Comum Curricular uma disciplina que promova a leitura e o debate de obras literárias, que possibilitará a escolha de livros pelos próprios jovens, a fim de desenvolver o interesse juvenil pela literatura. Só assim, será possível formar uma sociedade mais culta, para que casos ocorridos como o de Fabiano não ocorram novamente.