Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/10/2020
A obra “Vidas Secas”, escrita pelo autor romântico Graciliano Ramos, ilustra o personagem Fabiano variadas vezes ludibriado pela falta de compreensão léxica culta. Analogamente, fora das páginas, os brasileiros constantemente enfrentam problemas interpretativos da língua, não pelo desacesso à leitura, mas sim pela qualidade do consumido. Nesse sentido, seja pelo engessamento da literatura escolar ou pelo preço exorbitante dos livros, a defasagem literária contribui para a dimininuição do intelecto populacional e, por isso, carece de cuidados.
Previamente, é necessário salientar que a construção de um hábito positivo se dá desde os primórdios na vida cidadã. À medida que escolas cobram títulos desconexos da realidade juvenil, o aluno acredita na falácia sobre o literário ser entediante. Assim, a manipulação sofrida por “Fabiano”, no Romantismo, também acomete aos civis atuais, ao passo que leem informações virtuais soltas — Conhecidas como hipertextos —, quase sempre sem criticidade. Segundo o autor Monteiro Lobato, no entanto, um país é feito de homens e livros. Desse modo, alterar a forma como a literatura é cobrada nas salas de aula é mister para inserir a prática aos mais novos e atingir aos futuros adultos.
Ademais, o preço encarecido das obras também contribui para a resistência à literatura. Conforme os Estados Unidos instituíram a flexibilização nas normas de produção dos escritos — Impressão em papéis finos e capas mais versáteis, por exemplo —, no século XX, a aquisição de livros tornou-se mais democrática. No entanto, o Brasil aparenta caminhar para o sentido contrário: Além de possuir rígidas regras de fabricação de livros, criou o Projeto de Lei 3.887/2020, que prevê um aumento de vinte por cento sobre os títulos. De acordo como filósofo John Locke, é dever do Estado promover todas as condições para o bem estar social. Logo, modificar a forma como o governo encara a leitura é fundamental para atingir também aos cidadãos.
Portanto, ações são necessárias para inserir a literatura na rotina social. Sob essa ótica, gerar a obrigatoriedade de semanas mensais do livro, nos níveis fundamentais e médios de ensino, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, de maneira que os alunos escolham o título e apresentem aos seus professores e colegas, é fundamental para elucidar a pluralidade de gêneros literários aos pequenos. Outrossim, baratear o custo das obras, por intermédio de subsídios governamentais à gráficas que produzam conteúdos em valores reduzidos, fazendo uso da verba do Ministério da Educação e Cultura, é essencial a fim de facilitar a posse à todos. Para isso, a Academia Nacional das Letras poderia criar manuais acessíveis de produção para as empresas seguirem. Apenas assim evitaremos manipulações grotescas, como em Vidas Secas, pela falta de contato com o escrito.