Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 07/10/2020

O livro “A Menina que Roubava Livros”, escrito pelo australiano Markus Suzak, narra a história de Liesel Merminger, uma garota em intensa vulnerabilidade social que vivia no contexto do nazismo alemão e, para fugir da realidade que a cercava, ela fazia visitas esporádicas à biblioteca do prefeito da cidade em que morava, a fim de que pudesse furtar livros e entreter-se com eles. Tristemente, muitas pessoas ainda encontram dificuldades em praticar a leitura em diversos países, inclusive, no Brasil. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro preocupante, seja pela ineficiência estatal, seja pelo próprio desinteresse do indivíduo.

Mormente, o Poder Público é um dos principais agentes que dificultam o fomento à leitura no Brasil. A esse respeito, o filósofo contratualista John Locke afirma que o homem firmou um “contrato social” com o Estado, com o fito de que este pudesse garantir proteção à vida, à propriedade privada e ao enriquecimento do indivíduo. Todavia, o aumento de taxas sobre livros, tal qual o desdém por papelarias, bibliotecas públicas e o fechamento de lojas físicas, evidenciam uma violação desse “contrato”, uma vez que essas ações promovidas pelo Estado dificultam que parte da população de baixa renda possa comprar livros e, por conseguinte, consigam praticar a leitura. Destarte, enquanto não houver baixa nos impostos, a realidade brasileira permanecerá análiga a de Liesel Merminger, na qual apenas a elite consegue desfrutar da leitura.

Outrossim, outro problema está vinculado ao desinteresse pela leitura pelos próprios indivíduos, o que é exposto por dados da pesquisa “Retratos da Leitura” do Instituto Pró-Livro, os quais apontam que cerca de 44% da população não lê. Sob tal ótica, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada, por ele, como “líquida” devido ao imediatismo e à fragilidade das relações humanas. Nesse sentido, para uma parcela dos cidadãos, ler consome muito tempo e fadiga mental e, dessa forma, são seduzidos pelo próprio subconsciente a procurarem outra atividade que lhes proporcionem um resultado mais imediato. Dessa maneira, é necessário inserir hábitos de leitura desde a infância para que isso não seja um problema, futuramente, na população adulta.

Urge, portanto, uma solução para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério Público Federal, por meio de uma ação a qual deve ser elaborada e aprovada pelo Poder Judiciário, derrubar todos os impostos criados sobre livros nos últimos 5 anos, a fim de promover o barateamento dessa mercadoria. Além disso, é necessário que o MEC(Ministério da Educação) insira, na grade curricular do ensino fundamental, uma matéria de leitura semanal, a qual deverá ser lecionada por professores graduados em pedagogia infantil com o objetivo de criar uma geração com mais afinidade com o hábito de ler.