Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 12/05/2024
O educador brasileiro Paulo Freire postulou que a inclusão é aprendida através das diferenças e não com as igualdades. Tal afirmação diverge do cenário escolar atual do Brasil, visto que urgem desafios para a instauração da plena inclusão educacional de pessoas cegas no país. A problemática é constituída pelo descaso estatal perante ao tema, o que desencadeia a ausência de profissionais, materiais didáticos e instalações físicas capacitadas para a educação de deficientes visuais.
Diante do exposto, constata-se a negligência governamental frente à integração de pessoas cegas no âmbito acadêmico. É assegurado pela Constituição Federal brasileira -documento promulgado em 1988- o direito à educação para todo cidadão da nação. No entanto, a inércia estatal configura um desafio fundamental para a inclusão escolar de deficientes visuais, expresso pela falta de investimentos em políticas públicas para o tema -o que ocasiona o descumprimento do direito previsto na Constituição. Isso contribui para que as necessidades educacionais de pessoas cegas sejam cada vez mais negligenciadas.
Em seguida, desencadeada pela ineficiência estatal, surge a ausência de capacitação nos ambientes acadêmicos para recebimento de estudantes cegos. As escolas e universidades brasileiras são pensadas de modo a educar pessoas iguais, sem considerar suas diferenças individuais. Partindo desse pressuposto, é notório o déficit na capacitação de profissionais da educação quanto ao manejo escolar de deficientes visuais, em virtude das necessidades específicas desses estudantes. Na mesma linha de pensamento, os materiais didáticos não possuem versões em braile -versão adaptada para leitores cegos-, assim como as instalações físicas dos locais de ensino não atendem às demandas dos estudantes deficientes.
Infere-se, portanto, que é inadiável a resolução dos desafios para inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil. Para isso, cabe ao Estado, em conjunto com o Ministério da Educação e Ministério da Infraestrutura, a destinação de verba suficiente para criação de políticas públicas que visem o investimento em capacitação profissional e de infraestrutura nas escolas e universidades, com objetivo de cumprirem o direito assegurado aos cidadãos de acesso à educação. Fazendo isso, há de se observar um futuro alvissareiro na educação.