Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 13/05/2024

O filme nacional “Hoje eu quero voltar sozinho” retrata as intempéries sofridas por Léo, um deficiente visual posto à margem da sociedade em decorrência da sua condição física especial. A obra cinematográfica transcede o âmbito artístico e con- figura o retrato triste da realidade enfrentada pelas pessoas cegas no Brasil. Dessarte, faz-se profícuo analisar os desafios para a promoção educacional inclusi- va, na esfera política e social, dos deficientes visuais no país.

É mister ressaltar, em primeira instância, que a falta de investimento público fo- menta a evação escolar das pessoas com cegueira na nação verde-amarela. Isso ocorre porque a falta de infraestrutura, através de ambientes não adaptados, asso- ciada à falta de profissionais capacitados, isto significa, que conseguem atender às necessidades indivíduais dos alunos, revela a faceta horripilante ocasionada pela carência de subsídios governamentais. Tal fato contribui para o triunfo do que o estudioso Milton Santos nomeou como “cidadania mutilada”, posto que a demo-cracia só é efetiva quando atinge todo o corpo social.

Outrossim, o estigma associado a pessoas cegas no país, também presente no ambiente escolar, representa o outro ângulo do óbice. Isso ocorre porque, confor- me Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo, as instituições educacionais não conse- guem cumprir efetivamente o seu papel na construção social do indíviduo, esse, que, muitas vezes, utiliza-se da ignorância com o capacitismo por meio do afasta- mento no convívio social. Por conseguinte, o deficiente visual sente-se iminente- mente marginalizado e sem ânimo para as atividades que exijam a convivência so-cial, tais como as efetivadas no espaço escolar.

Dado o exposto acerca dos desafios para a inclusão educacional dos deficientes visuais no Brasil, infere-se que medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o Governo Federal, incubido do bem estar-social, deve criar um progra- ma nacional de valorização salarial e de capacitação pedagógica, com enfoque na adaptação curricular inclusiva para a pessoa cega. O Ministério da Educação, res-ponsável por instruir o cidadão desde a tenra infância, também pode contribuir in- cluindo, na Base Nacional Comum Curricular, atividades lúdicas de respeito à pessoa portadora de deficiência, afim de erradicar o capacitismo.