Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 01/04/2024

Na obra “Utopia”, do filósofo Thomas More, é retratada uma sociedade caracterizada pela ausência de problemas e conflitos, na qual todos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, fora da ficção, o que se observa é o oposto do que o autor prega, uma vez que a formação educacional para deficientes visuais é um grande desafio a ser combatido no Brasil. Sob esse viés, a falta de acessibilidade e de profissionais especializados contribuem para o problema.

Diante do contexto apresentado, a Constituição Federal de 1988 garante que a educação é um direito de todos e é dever do Estado oferecer o atendimento educacional especializado e inclusivo na escola regular. Entretanto, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), entre 188 mil escolas brasileiras, apenas 41 mil possuem acessibilidade arquitetônica, necessária para receber alunos com deficiência visual. Desse modo, para alunos com baixa visão ou cegueira, é necessário adaptações, como piso tátil e fácil acesso à sala de aula, que grande parte das escolas regulares não possuem, além da falta de materiais didáticos em braile.

Ademais, a falta de professores capacitados em educação inclusiva, prejudica o aprendizado dos alunos. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, dos mais de 2 milhões de professores brasileiros, apenas 93 mil possuem especialidade em Educação Especial, menos de 5% de toda a rede. De acordo com o Censo Escolar, foram matriculados 82.630 estudantes com deficiência visual nas redes de ensino, porém 4 a cada 10 abandonaram os estudos com a incapacidade de se sentirem incluídos na sala de aula, dificultando o aprendizado.

Portanto, a fim de superar os problemas supracitados, urge a necessidade do Ministério da Educação - órgão responsável pelo âmbito educacional -, criar projetos com a finalidade de promover a acessibilidade e a inclusão dos deficientes visuais, por meio de adaptação das estruturas escolares, através de reformas como piso tátil, além de disponibilizar a preparação de professores por meio de cursos e palestras sobre a educação inclusiva.