Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 16/12/2020
Na obra literária japonesa “Inuyashiki”, um homem idoso se vê forçado a lidar com o declínio de suas capacidades físicas e com a incompreensão da sociedade. Da mesma forma, a terceira idade do mundo contemporâneo convive com inúmeros obstáculos de ordem biológica e social, sobretudo na experiência educacional. Essa situação de invalidez acadêmica é impactada negativamente tanto pela exclusão digital, quanto pela burocracia da matrícula educacional.
A falta de inclusão digital de pessoas em idade avançada é um aspecto que prejudica o sucesso acadêmico dessa faixa etária. Nesse sentido, os idosos que não sabem manipular as tecnologias da informação, como computadores e smartphones, não se sentem plenamente integrados à comunidade universitária. Isso porque não é possível aproveitar integralmente os recursos audiovisuais das aulas, nem interagir prontamente com os mais jovens da classe. Ademais, devido à essa limitação, muitos não poderão realizar os trabalhos exigidos pelas universidades, como artigos acadêmicos e apresentações multimídia. Assim, a terceira idade não só se sente incapaz de levar os estudos à termo, como também é desencorajada por um ambiente distante de seu modo particular de aprender.
Além disso, os trâmites burocráticos de documentação são empecilhos para a efetivação do registro de idosos em cursos de graduação. Nessa perspectiva, deve-se considerar que a maioria da terceira idade não possui o ensino fundamental completo, ao passo que as instituições educacionais exigem como requisito mínimo o ensino médio para a matrícula. Isso diminui consideravelmente o número de ingressantes mais velhos no ensino superior. Outrossim, a incompatibilidade de documentos antigos com o sistema de registro atual de alunos nas universidades, exige que a terceira idade enfrente longos processo burocráticos para adquirir certidões de identificação atualizadas. Dessa forma, o custo de tempo e energia dos idosos nesses trâmites afasta a ideia de cursar uma graduação.
Portanto, a alfabetização tecnológica e o registro acadêmico facilitado são necessários para a inserção da terceira idade no ensino superior. Nesse sentido, as universidades deverão contratar mais profissionais da informática, por meio de processos seletivos internos, a fim de ofertar aulas complementares sobre como utilizar as novas tecnologias e orientar os idosos. Ademais, o Ministério da Educação deverá exigir, por decreto, que as universidades incluam o certificado do Encceja (Exame Nacional Para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) na documentação válida para as matrículas de pessoas de mais de 60 anos. Isso possibilitará que um número maior de idosos ingresse nas faculdades, já que garante a certificação no nível de conclusão do ensino médio. Destarte, a terceira idade terá um final mais feliz do que o senhor Inuyashiki.