Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 03/11/2020

A constituição de 1988 prevê o direito ao estudo, de estar e de ir e vir. No entanto, na realidade, tais direitos são deturpados. Segundo o site de informações G1, o Brasil, hoje, é um dos países onde os idosos encontram maior dificuldade para adentrar não apenas o ensino básico, como o superior. Essa situação nefasta ocorre não somente pela imagem deturpada que se tem em começar um estudo já com idade avançada, mas também pela falta de incentivo em prol da acessibilidade dada pelo Estado. Em primeira análise, é importante ressaltar como o conceito de envelhecer com qualidade é moderno em nossa sociedade. O documentário Aging da Hulu, levanta a discussão sobre como esta é a primeira vez na história em que as pessoas vivem tanto e, consequentemente, desejam encontram novas aspirações e conhecimento. Porém, por ser um evento novo, a sociedade não se encontra preparada para ele. Isso é evidenciado pelo preconceito e desmotivação que as pessoas da terceira idade enfrentam em grande parte das vezes ao manifestar a vontade de voltar a estudar, dentro da própria família, e nas instituições que frequentemente não possuem um ambiente preparado para os receber, não apenas de maneira física, mas também pedagógica, de forma que estes se sintam incluídos nos meios presenciais e digitais. Dessa maneira, é lúcido apontar que a visão passada do lugar do idoso não condiz com os rumos contemporâneos, e é algo que precisa ser mudado.

Por conseguinte, tem-se a ausência de incentivos do Estado relacionados a educação e trabalho na terceira idade, uma vez que muitos idosos são desmotivados a perseguirem novas formações pela dificuldade de encontrar empregos posteriormente por conta do etarismo. Em consonância o sociólogo Hugo Dwarfs, motivar essa população a buscar novos ofícios não apenas expande e renova diferentes mercados, como também mantem essa população economicamente ativa e produtiva, evitando colapsos na economia. Dessa forma, nota-se que tal negligência não condiz com a constante preocupação que o Estado tem em assuntos ligado a aposentadoria, e não agir de forma inteligente a isso, é apenas revelar-se duplamente despreparado para o aumento demográfico de idosos agora e no futuro.

Depreende-se, portanto, a necessidade do Governo em expandir o acesso da terceira idade ao ensino superior, por intermédio de parcerias público-privadas, com a criação de cotas nas universidades e empresas, com oficinas de introdução à tecnologia e adequação no mercado de trabalho. Além disso, é primordial que a mídia, como formadora de opiniões, amplifique por meio de debates a ressignificação do local do idoso na contemporaneidade. Espera-se, com o conjunto dessas ações, não somente incentivar a adesão destes em novos meios hoje, mas criar estradas para nós no amanhã.