Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 28/10/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto  no clássico literário “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica marcante um nacionalismo ufanista. Acreditando em um Brasil utópico e democrático. Entretanto, a dificuldade da inclusão dos idosos no ensino superior torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela negligência governamental, seja pela intolerância que os idosos sofrem no meio acadêmico, a sua inserção no ensino superior continua sendo um grande desafio, o que exige reflexão urgente.

Em primeira análise, o descaso estatal com a inclusão dos idosos nas universidades mostra-se um grande desafio, pois o próprio Estado possui uma ideologia circundante de que o meio acadêmico é um local apenas para jovens, a maior prova disso é a inexistência de cotas para idosos- um grupo minoritário que se encontra em desvantagem por não ter tido contato com o ensino a muito tempo- e o próprio comercial de divulgação do ENEM - exame nacional do ensino médio- onde são representados apenas adolescentes; a jogada de marketing nos reafirma o estereótipo de que o meio acadêmico não é lugar para os idosos. Indo contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz que todos os cidadãos, independente da faixa etária, tem o direito à educação.

Além disso, também vale ressaltar a coerção social que os idosos sofrem nas universidades. Segundo documentário da BBC News 62% dos idosos que frequentam universidades no Rio de janeiro já sofreram algum tipo de preconceito devido a sua idade. Tal dado pode ser reafirmado com o acontecimento em fevereiro de 2019; uma foto que retratava um senhor  de 75 anos segurando uma placa de papelão com os dizeres “enfermagem UFMA”, comemorando sua aprovação na Universidade Federal do Maranhão, levantou polêmicas nas redes sociais; o senhor foi vítima de comentários etaristas, e piadas. Percebe-se uma linha clara diante dos fatos: o estereótipo de que as universidades são locais para pessoas mais jovens, causa a coerção social dos idosos neste meio.

Portanto, a inclusão dos mais velhos no ensino superior apresenta barreiras preocupantes. Para amenizar o cenário atual urge que o Ministério da Educação junto as grandes mídias, publique na televisão e nas redes sociais, campanhas que mostrem para população que é um direito constitucional do idoso ter acesso ao ensino superior. Tal plano, deverá focar no incentivo e na normalização dos mais velhos no meio acadêmico. E ainda,  cabe ao MEC a elaboração de cotas para idosos que se dedicam em conquistar uma vaga em universidades públicas. espera-se com isso, que a sociedade brasileira seja mais tolerante, e que todos cidadãos tenham a oportunidade de possuir uma formação completa. Somente assim, nos aproximaremos do país utópico e democrático idealizado por Policarpo.