Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 22/09/2020
Em seu livro “A Bela Velhice”, a antropóloga Mirian Goldenberg reflete sobre o protagonismo da população idosa e a importância de se viver uma velhice com liberdade e um bom projeto de vida. Devido a fatores históricos e sociais, o pensamento de Mirian não tem sido aplicado na sociedade brasileira, problemática que dificulta o acesso da terceira idade a fatores fundamentais, como a educação. Essa realidade absurda notifica um entrave para o desenvolvimento, o que torna cabível a análise sobre os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior.
Em primeiro plano, vale evidenciar a Guerra Fria, conflito ideológico do século XX do qual o Capitalismo saiu como modo econômico vigente, como fomentadora do problema pautado. Esse contexto, de forma errônea, possibilitou a exaltação da imagem do jovem como única ferramenta disponível para o lucro do mercado de trabalho e para o meio educacional. Entretanto, concomitantemente, também abriu portas para a deterioração da população idosa com relação aos aspectos mencionados, o que gerou, na própria, a falta de vontade para realizar tais atividades. Essa lástima permitiu que, em 2019, apenas cerca de 7800 pessoas com mais de 60 anos estivessem matriculadas em cursos de graduação, um número relativamente baixo para um país que, em 2017, tinha cerca de 30 milhões de idosos, segundo o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-.
Outrossim, por escassez de causas do Estado para estimular a população da terceira idade a adentrar no meio acadêmico, tornou-se comum a baixa autoestima dessas pessoas, uma vez que, devido ao preconceito evidente dos demais indivíduos, elas passaram a deixar de lado as ambições. Demi Lovato, aclamada cantora estadunidense contemporânea defende, em uma de suas colocações, que nunca é tarde demais para ir atrás de um sonho. Motivados pela aversão social com relação a suas capacidades de rendimento, devido ao estereótipo de energia colocado sobre a população jovem, muitos idosos não vão a encontro do pensamento de Demi. Esse triste cenário cria uma barreira para a inclusão e, paralelamente, para a diversidade da PEA-População Economicamente Ativa-, visto que, ao desistir do ensino superior, muitos cidadãos com mais de 60 anos não entram no mundo laboral.
Destarte, é imprescindível que atitudes sejam tomadas para minimizar os desafios comentados, decorrentes de fatores históricos e sociais. É, portanto, válido ao governo promover, por meio do Ministério da Educação, a distribuição de panfletos para os idosos circulantes dos grandes logradouros do país, a fim de estimulá-los a buscar pelo ensino superior, com o auxílio de profissionais capacitados, como professores. Quiçá, tal medida aumentará os índices de idosos nas graduações e os fará sonhar novamente, reverenciando o livro de Mirian e garantindo, nessa perspectiva, o desenvolvimento social.