Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 17/11/2020
A taxa de crescimento demográfico é dada pela diferença entre as taxas de mortalidade e de natalidade em um determinado local. Quando a taxa de mortalidade é superior à taxa de natalidade, diz-se que um país está em déficit demográfico, tendo como consequência o envelhecimento da população. Essa é uma realidade de diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil, o que faz-se imprescindível a criação de políticas públicas que promovam a inserção dos idosos em várias áreas, principalmente nas universidades. Porém, as dificuldades em lidar com as novas tecnologias e a falta de recursos que facilitem sua entrada no ensino superior configuram-se como as principais adversidades enfrentadas pelos indivíduos da terceira idade no cenário atual.
O filme “Quase Deuses” mostra a vida de Vivien, um faxineiro que sonhava em cursar medicina. Contudo, ele não pôde realizar seu desejo quando era jovem, pois precisou trabalhar para sustentar sua família. No final da trama, o protagonista, já envelhecido, finalmente conseguiu entrar na universidade e se tornou médico, mas enfrentou muitos desafios financeiramente. De modo comparativo, o longa retrata a realidade de muitos idosos no Brasil, os quais, na mocidade, precisaram trabalhar e hoje, na velhice, almejam estudar e completar o ensino superior. Todavia, a população idosa enfrenta obstáculos para entrar nas universidades, já que não existe cotas destinadas à essa classe, sendo necessário a revisão dessa situação por parte das autoridades.
Ademais, a falta de familiaridade com as inovações tecnólogicas na área da educação aparece como outro agente na problemática. A maioria das instituições de ensino superior adotam plataformas online para o controle de atividades e avaliações, por exemplo, e isso pode prejudicar o desempenho das pessoas mais velhas, porque muitas delas não tiveram acesso a esse tipo de tecnologia durante a juventude. Por conseguinte, alguns idosos acabam abandonando as universidades por não conseguirem se adequar à nova realidade.
Portanto, é indispensável que o Ministério da Educação crie cotas destinadas aos idosos nos processos seletivos das universidades, por meio de investimentos na ampliação de vagas oferecidas, a fim de aumentar suas chances, visto que a falta de espaço é um dos principais entraves no ingresso das pessoas mais idosas ao ensino superior. Cabe, ainda, ao governo, a construção de escolas de informática públicas voltadas para a terceira idade, com intuito de promover a adaptação da população mais velha aos novos recursos tecnólogicos. Assim, o ensino no Brasil será mais justo e igualitário.