Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 19/09/2020
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase da escritora Hannah Arentd, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão da inclusão dos idosos no ensino superior, no Brasil hodierno, verifica-se que a terceira idade enfrenta grandes desafios para a concretização do direito à educação. Sendo assim, é crucial debater que o tema espelha não só a falta identificação dos idosos com as universidades, mas também a deturpação da Constituição do país.
Convém ressaltar, a princípio, a falta de representatividade é a principal causa desafio para a resolução do impasse. Sob essa perspectiva, Rupi Kaur defende que a representatividade é vital, a poetiza ilustra sua tese fazendo alusão à uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Fora da poesia, verifica-se que a inclusão dos idosos nas universidades é fortemente influenciada por essa questão, uma vez que as propagandas dos cursos universitários são voltadas amplamente para o público jovem e não idoso. Assim, se a terceira idade não se sentir incluída dentro do ambiente acadêmico o impasse nunca será resolvido.
Ademais, essa problemática esbarra na perda de direitos já conquistados. Sob esse viés, é válido lembrar que a elaboração do artigo 205 da Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de garantir a plena educação de todos os brasileiros ,sem distinções. Entretanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desse direito, uma vez que se os idosos não estiverem representados e inclusos nos cursos superiores o ideal de uma educação ampla e democrática não se cumpre. Logo, percebe-se não só um irrespeito colossal com a terceira idade, como também a violação da Constituição do país.
Isto posto, com a finalidade de gerar uma identificação dos idosos com as universidades e fazer valer a Carta Magna, urge que o Ministério da Educação, em pareceria com a mídia, faça propagandas informativas, por meio de canais de televisão e rádios. Para tal, essas devem conter dados e a participação de idosos universitários, para que possa comover outros a se espelharem e, assim, gerar a representatividade e, consequentemente, a inclusão. Somente assim, é que a máxima de Hannah Arendt se concretizará.