Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 20/10/2020

A constituição de 1988, prevê o direito ao estudo, de estar e de ir e vir. No entanto, na realidade, tais direitos são deturpados. Segundo o site de informações G1, o Brasil, hoje, é um dos países onde os idosos encontram mais dificuldades para adentrar não apenas o ensino básico mas também o superior. Essa situação nefasta, ocorre não somente pela imagem deturpada que se tem em começar um estudo já com idade avançada, tanto quanto a falta de incentivo em prol da acessibilidade dada pelo Estado.

Em primeira análise, é importante ressaltar como o conceito de envelhecer com qualidade é moderno em nossa sociedade. O documentário Aging da Hulu, levanta a discussão sobre como esta é a primeira vez na história em que as pessoas vivem tanto, e consequentemente desejam encontrar novas aspirações e conhecimento. Porém, por ser um evento novo, a sociedade não se encontra preparada para ele. Isso é evidenciado pelo preconceito e desmotivação que pessoas da terceira idade encontram em grande parte das vezes ao manifestar essa vontade de voltar a estudar, dentro dentro da própria família, e também nas universidades onde enfrentam o descaso dos companheiros de classe mais jovens, e também das instituições que não possuem um ambiente preparado para os receber, não apenas de maneira física, mas também pedagógica de forma que estes se sintam incluídos nos meios presenciais e digitais. Dessa maneira, é lúcido apontar que a visão passada do lugar do idoso não condiz com os rumos contemporâneos, e é algo que precisa ser mudado.

Por conseguinte, tem-se a ausência de incentivos do Estado relacionado a educação e trabalho na terceira idade, uma vez que muitos idosos são desmotivados a perseguirem novas formações pela dificuldade de encontrar empregos posteriormente. Em consonância com o sociólogo Hugo Dwarfs, motivar essa população a buscar novos ofícios não apenas expande e renova diferentes mercados, como também mantem essa população economicamente ativa e produtiva, evitando colapsos na economia. Dessa forma, nota-se que tal negligência não condiz com a constante preocupação que o  Estado tem em assuntos ligados a aposentadoria, e não agir de forma inteligente a isso, é apenas revelar-se duplamente despreparado para o aumento demográfico de idosos agora e no futuro.

Depreende-se, portanto,  a necessidade do Governo em expandir o acesso da terceira idade ao ensino superior, por intermédio de parcerias público-privadas, com a criação de cotas nas universidades e empresas, com oficinas de introdução à tecnologia e adequação no mercado de trabalho. Além disso, é primordial que mídia como formadora de opiniões, amplifique por meio de debates a ressignificação do local do idoso na contemporaneidade. Espera-se, com o conjunto dessas ações, não somente incentivar a adesão destes em novos meios hoje, mas criar estradas para nós mesmos no amanhã.