Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 04/09/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos os direitos básicos, tal como a educação. No entanto, há no Brasil enormes impasses para a inclusão do idoso no ensino superior. Em vista disso, é observado uma negligência estatal para abranger o acesso da terceira idade ao sistema educativo, além de presenciarem o preconceito desenvolvido pela sociedade.

Em primeiro lugar, segundo o censo de 2010 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), cerca de 16.171 idosos ingressaram em cursos de graduação presenciais e à distância. Entretanto, é perceptível uma negligência do Estado para moldar o sistema educativo de acordo com as necessidades dos cidadãos da terceira idade. Dessa forma, sabe-se que as escolas apresentam oportunidades para os adultos, como o EJA, mas não há instituições que atendam ao essencial para o grupo dos idosos, sendo algo que fomenta cada vez mais a exclusão dos mais velhos ao direito universal da educação.

Ademais, outro aspecto a ser abordado, é fato do enorme preconceito estabelecido na sociedade contemporânea, que relacionam a terceira idade com incapacidade. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “A parcela da população, tende, de fato, a ser incapaz de tolerar o que é diferente”. Logo, é notório que os jovens universitários praticam do discurso do ódio aos idosos em virtude de considerarem pessoas da terceira idade no ensino superior um cenário divergente. Desse modo, é evidente que os mais velhos estão tornando-se suscetíveis a ataques de discriminação ao ingressarem no sistema educativo, em destaque ao superior.

Portanto, é necessário a criação de alternativas para atenuar os desafios da inclusão do idoso no ensino superior. Cabe ao Estado, junto ao Ministério da Educação, promover atividades que incluem os idosos no ensino superior, como professores adaptados para esse meio, investimentos em sistema de cotas, aulas sobre manuseio tecnológico entre outros, com o objetivo de obter um acréscimo da inclusão dos mais velhos nos sistemas educativos de nível superior. Além disso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar profissionais do ramo da psiquiatria para os idosos que sofrem discriminação nas instituições de ensino, e assim não desenvolverem em um futuro próximo transtornos mentais em virtude desse comportamento de discurso de ódio. Dessa maneira, será possível colocar em prática o direito básico da educação para os idosos que adentrarem no ensino superior.