Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 02/07/2020
A série de quadrinhos dos “X-Men” tem como uma das figuras centrais o Professor Xavier, um senhor de idade que representa a sabedoria e a vontade de mudar e proteger o mundo. Em paralelo a ficção, temos uma crescente presença de idosos adentrando os espaços universitários e ocupando cadeiras de diversos cursos do ensino superior, buscando realização profissional ou vontade de mudar a sua realidade. A partir do que foi exposto, faz-se necessário o debate acerca a presença de estigmas e preconceitos que os idosos sofrem e as consequências na formação desses novos profissionais.
É indiscutível o preconceito que idosos sofrem quando tentam ocupar espaços que, até então, não tinham sido projetados para a sua presença, como é o caso das universidades. Ao longo dos anos é perceptível que os espaços universitários vem sofrendo mudanças principalmente na construção do seu perfil discente: a presença de mulheres, de pessoas negras e outras minorias são uma conquista recente e que vem derrubando os estigmas e preconceitos. Agora esse espaço ver um novo critério de diversificação que é a idade. Contudo, essa parcela da população lida com diversas formas de discriminação ao longo da sua formação que podem ser percebidos na durante a realização de atividades em grupo, e fornecimento de materiais de estudo sem acessibilidade. Logo, a mudança no cenário se torno algo essencial para cumprir o que a constituição assegura no quesito educação.
Por conseguinte, a formação desses profissionais é comprometida pela perpetuação de estigmas que a educação superior para idosos é algo inútil e que a a terceira idade é sinônimo de fragilidade. Vale ressaltar que diversas pessoas ao longo da sua vida não tiveram a oportunidade de se graduar, uma vez que, precisavam trabalhar por causa das condições financeiras, já que o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo -medido pelo Coeficiente de Gini- e vêem no pós-aposentadoria uma chance de mudar de vida ou buscar realização profissional. Mas a realidade que encontram é incompatível com suas limitações e sonhos o que pode acarretar em desmotivação que pode levar a evasão desses futuros profissionais que serão maioria na população em alguns anos, segundo o IBGE.
Em síntese, medidas para resolver os impasses precisam ser tomadas. O Ministério da Educação deve apresentar um projeto de modificação da Lei de Cotas ao Congresso Nacional. Essa mudança será feita por meio do acréscimo da modalidade de idosos no grupo de beneficiados pela lei, tendo assim suas vagas resguardadas. Ademais as universidades devem respeitar e expor pelos campi os direitos da terceira idade previstos no Estatuto do Idoso, por intermédio de palestras e exposições de vivências dos próprios discentes com mais de 60 anos. Espera-se com essas medidas que os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior sejam minimizados.