Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 01/03/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Em contrapartida, na prática os desafios para a inclusão digital da terceira idade mostra-se lamentável. Esse imbróglio social ocorre devido a negligência governamental, como também o preconceito da população. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Nesse sentido, é preciso considerar a ineficiência do Governo na democratização da tecnologia a terceira idade. Pois, consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil.  Haja vista que, infelizmente, a falta de políticas públicas que visem a inserção do público idoso na tecnologia, ocasiona a dependência dessa geração, uma vez que os eletrônicos são fabricados com o intuito de atender a parcela mais jovem da sociedade.

Apresenta-se relevante também pautar sobre o preconceito advindo da população juvenil que correlaciona a terceira idade a limitações. Esse fator pode ser ilustrado no filme “UP: Altas aventuras”, que conta a história de Carl, pois mostra o choque de gerações entre um idoso e uma criança, no qual fica evidente que a população vê o idoso como alguém “rabugento”, além de sem autonomia. Ademais, com dispositivos tecnológicos, os idosos se sentem atualizados, ocupam seu tempo livre e reduzem as chances de solidão, tão comuns nessa época da vida. A tecnologia também ajuda a ativar o cérebro e a prevenir doenças, como o Alzheimer, por exemplo. Lamentavelmente, a exclusão digital da terceira idade pode acarretar graves consequências como o isolamento social e por conseguinte a depressão.

É evidente, portanto, que ao considerar a falta de inclusão tecnológica do público idoso como um grande problema social, deve ser revertido. Para tal, o Governo, como instituição regulamentadora do direito ao idoso, deve promover ações comunitárias e políticas públicas de inclusão digital aos idosos de todas as classes sociais, não apenas atendendendo a legislação vigente, mas como meio de oportunizar a eles a possibilidade de interação com os demais grupos etários, como por exemplo, a criação de cursos gratuitos e presenciais para esses cidadãos, a fim de promover a sua independência e extinguir o preconceito proveniente da população e a coletividade poderá alcançar a Utopia de More.