Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 15/01/2021

Com o advento da internet e sua constante evolução, a transmissão de informações tornou-se ágil e eficiente, o que modificou por completo os hábitos humanos. Hoje, a internet é a principal forma de se adquirir conhecimento e informações, além de proporcionar variadas atividades. Entretanto, a inclusão digital da terceira idade ainda é tratada com desleixo, seja pelo individualismo humano e pela negligência governamental.

Em primeira mão, o individualismo das pessoas está entre as causas da problemática. Segundo Zygmunt Bauman e sua teoria da modernidade, as relações sociais estão cada vez mais frágeis e artificiais. Assim sendo, a falta de empatia dos indivíduos com aqueles de gerações antecedentes tem gerado discriminação e preconceito, o que exclui o grupo idoso dessa tecnologia, uma vez que são vistos como incapazes e incompatíveis perante o meio digital.

Em segunda análise, convém ressaltar que a omissão estatal é um dos motivos por essa adversidade. Nesse sentido, conforme dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 18% da população acima de 60 anos detém acesso à internet. Logo, essa realidade contraria a Constituição de 1988, na qual o Estado tem o dever de promover o bem-estar social dos cidadãos. Dessa forma, sem a instrução digital apropriada, o idoso apresentará dificuldades que tendem a se padronizar, tal como serviços bancários e sociais, que são essenciais. Nessa perspectiva, verifica-se as imperfeições do dirigismo governamental, que se mantém inoperante diante desse obstáculo.

Urge, portanto, que o Poder Legislativo em parceria com as prefeituras, promova a criação de cursos gratuitos nas escolas, com explicações de professores sobre a dinâmica dos meios digitais, a fim de ampliar o acesso à internet do grupo idoso. Ademais, cabe ao governo aumentar os investimentos voltados à educação, com a instituição de palestras em eventos públicos diversos, sobre a importância da compreensão das particularidades da terceira idade, o que reduzirá a “artificialidade social”.