Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 14/01/2021
Os avós, geralmente,passam para seus netos costumes, histórias, brincadeiras e relatos de sua época, como forma de estreitar laços entre as gerações. Por sua vez, os netos, impacientes e insensíveis, além de “mergulhados” na era digital, os julgam incapazes de acompanhar inovações tecnológicas, visto que essas são recentes e efêmeras. Sendo assim, o acesso desigual a tecnologia reforça exclusões digitais e, consequentemente, sociais, pois nem todos tem a mesma facilidade e instrução para lidar com os aparelhos digitais. Tal situação, que acomete principalmente os idosos, é fruto da baixa valorização mercadológica, bem como da negligência familiar a essa faixa etária.
Em primeiro lugar, é importante observar que as relações hodiernas são moldadas de acordo com os interesses capitalistas. A execessiva valorização da produtividade e do manuseio de modernas tecnologias colocou pessoas mais velhas à margem do sistema, visto que, por conta de suas habilidades físicas e motoras, podem apresentar limitações. Entretanto, paralelo a essa desvalorização do mercado, houve o aumento da expectativa de vida no mundo e, consequentemente, a inclusão a essa parcela populacional torna-se imprescindível, já que qualquer tipo de exclusão demonstra grave problemática.
Além disso, há parcela de culpa familiar. A negligência para com o idoso e a falta de tempo para ensiná-lo corroboram com sua exclusão. Assim, uma sociedade individualista e egocêntrica não vê no outro necessidades iguais ou até maiores que as suas. Isso é tratado pelo sociólogo polônes, Zygmunt Bauman, em seu livro -“Cegueira Moral”- que fala sobre como a indiferença para com o semelhante é algo extremamente presente e prejudicial ao convívo social. Nesse sentido, é necessário que o sentimento de coletividade seja resgatado e que a inclusão, garantida pelo Estatudo do Idoso, seja efetivada.
Logo, existem desafios para essa inclusão mas esses devem ser minimizados a fim de inserir jovens, adultos e idosos no mesmo ambiente social, cultural e digital. É papel do Estado, por meio do Ministério da Cidadania, promover cursos de acesso às novas tecnologias, junto a empresas privadas. Para aproximar a família do processo de inclusão digital, o idoso pode ter direito a acompanhante no curso, a fim de levar a discussão e valorização para o âmbito familiar. Para garantir o sucesso desses, a Mídia deve divulgar e orientar sobre a importância da inclusão a fim de promover maior debate e visibilidade do idoso na sociedade. Por fim, as experiências trocadas deixarão de ser unilaterias e, avós e netos poderão desfrutar efetivamente das vantagens promovidas pelo encontro de gerações.