Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 12/01/2021

A obra cinematográfica “Casamento Grego 2” retrata a vida de uma família grega que reside nos Estados Unidos. Entretanto, certo dia, o patriarca, em idade avançada, tenta manusear o computador à procura da sua origem e garantir que Alexandre, o Grande, fosse um de seus ancestrais. Por conseguinte, ele encontra muita dificuldade no processo e apela por ajuda de seus parentes. Fora da ficção, o Brasil enfrenta desafios como uma infraestrutura deficitária e uma capacitação insuficiente de profissionais para efetivar a inclusão digital da terceira idade. Assim, sua discussão é fundamental.

Convém ressaltar, a princípio, que a estrutura precária nacional recorrente no âmbito tecnológico propicia o agravamento da situação. À vista disso, segundo o sociólogo norte-americano John Rawls, a exclusão de um determinado grupo ocorre pela disparidade de circunstâncias para o seu desenvolvimento coletivo. Nesse aspecto, a escassez de locais adequados para a educação digital de idosos atua como um entrave para que a plena inclusão ocorra. Como resultado, há a ampliação da desigualdade social, que prejudica a preparação do indivíduo na área eletrônica. Isso gera uma significativa lacuna na esfera educacional e laboral da comunidade anciã, que necessita se adequar às exigências da era da informação para possibilitar sua inserção.

Outrossim, a Constituição de 1988, documento de suma importância do país, garante que é dever do Estado promover o aperfeiçoamento tecnológico. Todavia, a falta de formação de especialistas em ensino do domínio digital para a faixa etária expandida colabora para o difícil cenário. Dessarte, com o aumento da expectativa de vida no território brasileiro, serviços para a recepção de idosos passaram a ser mais habituais. Contudo, a qualificação na área é escassa em comparação à demanda populacional. Desse modo, o sujeito encontra empecilhos para sua autossuficiência digital devido à aprendizagem do acesso informacional limitado.

Logo, torna-se evidente a imprescindibilidade de medidas que amenizem o quadro atual. Destarte, o Ministério da Educação, em parceria com ONG’s, deve, por meio de verbas governamentais, estabelecer, em espaços como escolas, institutos e centros culturais, cursos profissionalizantes de educação computacional com o aparato eletrônico apropriado. Isso precisa ter como objetivo a capacitação e especialização de professores e pedagogos na área educacional para a terceira idade a fim de estimular o amplo ensino digital pela ocorrência semanal em instituições educativas e casas de repouso, oficinas voltadas à inclusão tecnológica do idoso. Com isso, espera-se que os desafios sejam mitigados.