Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 16/10/2020
Segundo o filósofo brasileiro, Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. Dessa maneira, pode-se dizer que a população idosa possui determinados conhecimentos, contudo, estes não são utilizados de maneira íntegra na contemporaneidade, porém não devem ser considerados inúteis. Logo, a sociedade que está dividida em gerações, segrega-se gradualmente à custa do desenvolvimento, pois esse não visa a inclusão completa dos cidadãos. Portanto, é fundamental que haja mecanismo que possibilitem a análise e resolução detalhada da problemática.
Em primeira instância, é ilustrado no webtoon sul-coreano, intitulado como, “Love Alarm”, da autora Chon Kye-young, uma realidade avançada na qual um aplicativo consegue expor os interesses amorosos dos seus usuários, evitando de modo controverso a rejeição, vergonha, dentre outras casualidades. Todavia, como foi supracitado, na atualidade tem-se um desenvolvimento rápido de instrumentos tecnológicos, de aplicativos ou redes sociais, uma vez que é obrigatório, incontáveis atualizações para atender as necessidades do público alvo. Posto isto, pessoas da terceira geração não se sentem aptas para acompanhar um progresso que é precoce e não tem mecanismos que atendem as suas próprias exigências, assim é formado uma comunidade de “analfabetos tecnológicos”.
Para uma segunda consideração, é proclamado no Art. 230 da Constituição Federal, o dever do Estado de assegurar a participação dos idosos na sociedade, assegurando seu bem-estar e defendendo sua dignidade. Apesar disso, tais medidas prescritas na Carta Magna não condizem com a vivência presenciada, tendo em vista que os anciãos estão sendo paulatinamente marginalizados, caracterizados, erroneamente, como “inferiores”. Por isso, de acordo com uma pesquisa do Data folha, 45% dos entrevistados com mais de 60 anos, confirmaram ter computador em casa, mas apenas 19% diz ter proximidade com o objeto. Então é importante ressaltar que a exclusão acontece principalmente em ambiente familiar, já que os familiares não explicam ou orientam os mais velhos a funcionalidade do equipamento. Repercutindo, então, em um ciclo de quebra de laços e discrepância interfamiliar.
Infere-se, por conseguinte, que em um futuro próximo, o Brasil será considerado um país idoso, assim, deve providenciar métodos para inclusão digital da terceira idade. Assim sendo, o Estado, em consonância com o Ministério da Cidadania e ONGs (Organizações Não-Governamentais) de orientação familiar, deve criar projetos estaduais que disponibilizem cursos para “smartphones” e computadores voltados para a comunidade idosa. Consequentemente, tais orientações têm de ensinar com praticidade aos usuários a usar mecanismo básicos dos recursos digitais, além de demonstrar a realidade virtual e propor uma reintegração social para com o público alvo, os anciãos.