Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 15/12/2020

Na obra ´´A República``, do escritor grego Platão, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de cidadãos incultos. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a biotecnologia e ética apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização de uma pólis ideal para Platão. Nesse contexto, esse panorama desvantajoso é fruto tanto do uso da tecnologia para benefício próprio, quanto da falta de conhecimento da população. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade do século XXl.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a utilização de tecnicas extremamente perigosas para o ganho de poucos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Além disso, segundo o pensador empirista John Locke,´´o Estado é responsável por garantir o bem-estar da populção´´, no entanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, a falta de atuação das autoridades na questão do uso da biotecnologia para interesses lucrativos, leva a modificação de genes em espécies vegetais de qualquer forma, apenas para se lucrar ao máximo, e não visa minimizar a fome existente no mundo que mata milhares de crianças em alguns países. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de conhecimento tecnológico como promotor do problema. Certamente, de acordo com o cientista Albert Einstein,´´ deve-se abrir a mente para coisas novas que sejam benéficas à sociedade´´. Em relação a esse pressuposto, no Brasil, é um impasse esse pensamento, pois as pesquisas são pouco investidas para melhora na qualidade de vida das pessoas, principalmente no contexto de doenças degenerativas e sem cura. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de conhecimento contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a utilização da biotecnologia de forma indevida, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital, que por intermédio do Governo, será revertido em pesquisa segura para o uso de artifícios como: células-tronco na utilidade de doenças degenerativas e edição de genes em plantas para minimizar a fome, por meio do Ministério de Tecnologia e Ministério da Economia, para que se tenha a melhoria na qualidade de vida da maioria dos cidadãos de forma ética e racional. Logo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos do uso indiscriminado da biotecnologia, e a coletividade alcançará a harmonia do livro de Platão.