Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/12/2020
Nas décadas de 1930 e 1940 a utilização bélica da energia nuclear e as experiências médicas nos campos de concentração mostravam ao mundo o contraste entre a genealidade e a crueldade humana. Sendo assim, a bioética surge como um aparato legal que visa regulamentar as pesquisas científicas para que essas não coloquem em risco a vida ou a dignidade dos indivíduos. Contudo, a interferência ideológica na moral social e a difícil análise dos impactos da evulução pelos órgãos reguladores tornam-se desafios à conciliação da biotecnologia e a ética.
Em primeiro plano, é válido pontuar que a religiosidade contribui como um fator limitador dentro dos valores compartilhados. Segundo Émile Durkheim, a sociedade impõe comportamentos e ideais aos indivíduos de forma passiva, processo chamado pelo sociólogo de “Fato social”, ou seja, determinadas crenças e ideologias não são processadas pela razão, apenas são adquiridas em função do meio. Dessa forma, todo avanço científico causa estranheza e resistência, uma vez que, o controle sobre o ser humano, que outrora era atribuído apenas ao divino, passa a ser objeto de investigação e intervenção do próprio indivíduo.
Além disso, a dificuldade de projetar os efeitos de grandes evoluções tecnológicas tanto no campo sanitário como no social dificulta a resolução prática de alguns temas que acabam tornando-se verdadeiros tabus. Com isso, a ausência de discussões que levantem os prós e os contras de novos procedimentos terpêuticos de forma racional e responsável, tanto no meio médico, como entre os cidadãos, impede que algumas enfermidades sejam sanadas. Assim, é preciso que assuntos como vida e morte sejam discutidos de maneira mais natural, uma vez que, segundo Aristóteles, “Não basta viver, é preciso viver bem”.
Dado o exposto, é mister desconstruir as barreiras que impedem a evolução científica e humana da sociedade. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, criar uma portaria de transparência popular, pela qual, por meio da vinculação de entrevistas com os cientistas das melhores faculdades do país, universitários explicariam a importância de suas pesquisas, com o objetivo de levar a discussão acadêmica a todos os níveis da sociedade. A partir disso, a moral poderá tornar-se mais racional e o processo de regulamentação de descobertas mais dinâmico.