Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/12/2020
Em um dos filmes da franquia “Jurassic Park”, um cientista cria um dinossauro geneticamente modificado que é uma junção de diversas qualidades esperadas desse tipo de animal, porém, com o crescimento do réptil, descobriu-se que ele se tratava de uma grande ameaça à vida dos humanos. Com isso, temos um bom exemplo de porquê a ética deve prevalecer sobre a biotecnologia e como essa relação deve ser divulgada a fim de evitar futuras lesões aos direitos de cada pessoa.
Primeiramente, é necessário versar sobre a impossibilidade de controle total dos resulados em experimentos de melhoramento. Ainda que a pesquisa e divulgação de manipulações genéticas aumentem a cada ano, o ser humano segue sendo incapaz de prever todas as suas consequências, a exemplo disso, temos casos como plantas transgênicas - importantes para a população mundial- que poderiam causar sérios danos à saúde humana. Expondo, assim, o quão desafiador e importante é manter a ética testando os avanços da biotecnologia, mesmo que esses aparentem ser totalmente benéficos.
Em segundo lugar, torna-se indispensável tratar sobre as mudanças ideológicas que podem acompanhar os avanços da biotecnologia em seres humanos. Atualmente, essas práticas são reguladas pela legislação brasileira, mas é preciso discutir o motivo de tais proibições para que a barreira do senso comum -de que todo “melhoramento” é proveitoso- não cresça e represente um retrocesso para a humanidade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 diz que todos nascem e são iguais em direitos, porém uma tecnologia de “incremento” genético poderia ir contra o documento, levantando a ideia de seres “melhores”. No “Jurassic World” essa ameaça era contra a vida, mas na sociedade atual ela seria contra a coesão social, elemento indispensável para a manutenção da civilização e do senso de união humana, segundo o filósofo Émile Durkheim.
Portanto, urge que o debate bioético seja levantado na sociedade. Para isso, é necessário que o Governo Federal, utilizando o Ministério da Saúde e o da Educação, implante a bioética na Base Nacional Comum Curricular, para que a juventude, ditadora do futuro, aprenda sobre a importância da biotecnologia e de seu controle ético, procurando assim, evitar novas revoluções prejudiciais para a saúde e prevalecimento da sociedade como um todo.