Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 16/12/2020

A telenovela ‘O Clone’, produzida e exibida pela Rede Globo, mostra os conflitos éticos e sociais desencadeados por uma clonagem humana. Apesar da produção ser do ano de 2001, a questões bioéticas ainda são pertinentes, já que os desafios para a conciliação entre biotecnologia e ética estão diretamente relacionados a transparência nos trabalhos biotecnológicos desenvolvidos, além da inserção de medidas sustentáveis nesse ramo científico.

Em um primeiro plano, é importante considerar que a sociedade tem um papel incisivo nessa problemática, já que, estando na posição de consumidor, pode cobrar um posicionamento ético de indústrias e laboratórios. Um exemplo disso é a retirada gradual dos testes em animais pelas multinacionais, em resposta ao aumento na demanda por empresas que adotem a política internacional “Cruelty Free” e que, portanto, não utilizem bichos no desenvolvimento de seus produtos. Contudo, para que a população consiga atuar dessa forma, é necessário ter acesso às informações bioéticas que circundam a fabricação daquilo que ela consome, de modo a viabilizar a sua posição crítica.

Além disso, a biotecnologia tem seguido caminho contrário ao do desenvolvimento sustentável, pondo em xeque o futuro do meio ambiente e da humanidade. Tal fato é notável no ramo do agronegócio, onde o cultivo de leguminosas e grãos transgênicos se tornou economicamente viável para os agricultores, já que são resistentes a pragas e a outros fatores adversos. Logo, a cultura com alimentos geneticamente modificados é uma tendência a unicidade, ou seja, vegetais e sementes não modificados deixam de ser cultivados, o que corrobora para a diminuição da variabilidade genética de suas espécies que, por sua vez, impacta todo a escala evolutiva biológica.

Portanto, o concílio da biotecnologia com a ética depende de toda a população. Assim, por meio do apelo popular, caberá ao chefe do poder executivo encaminhar para a Câmara dos Deputados um projeto de lei que enrijeça a fiscalização sobre as experiências realizadas em laboratórios de instituições públicas e privadas, de modo a tornar mais rigoroso toda a apuração dos trabalhos que são submetidos a análise dos comitês de ética dessas organizações. Com isso, será possível garantir que nenhuma prática científica fira a integridade humana, ambiental e social.