Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/12/2020
No universo de “Duna”, clássico da ficção científica do escrito Frank Herbert, os eventos do Jihad Bluteriano marcam o momento no qual a humanidade abdica do desenvolvimento tecnológico rápido em prol de um progresso que contempla os aspectos filosóficos, biológicos e científicos de maneira harmoniosa. De forma análoga, a sociedade encara os desafios fomentados pela relação da ética e da biotecnologia. Nesse sentido, convém analisar tanto a possibilidade de edição do genoma humano e a incompatibilidade com os princípios da bioética, quanto a necessidade de tratar a filosofia e o direito como guias indispensáveis para o avanço biotecnológico.
Primeiramente, em 2018, um cientista chinês chocou o mundo ao anunciar a modificação genética de dois embriões humanos para garantir a resistência contra o vírus HIV. O que superficialmente aparenta ser um avanço, na verdade configura-se como uma violação grave de princípios éticos, à medida que indivíduos geneticamente modificados não podem consentir às alterações, além de abrir portas para ideais eugênicos que colocam a diversidade em xeque. Diante disso, é preciso que haja uma mensagem forte de reação que mais uma vez reafirme esse ato como uma prática inadmissível.
Outrossim, a ciência se estabelece como a grande fonte de respostas para as questões da humanidade, ela não consegue, no entanto, prover um norte que guie o desenvolvimento responsável dessa tecnologia. Diante disso, o iluminismo, escola filosófica do século XVIII, valorizava a consonância entre a razão e a filosofia como uma característica essencial do progresso. Sob essa ótica, é deplorável que o homem contemporâneo não veja a ética e o biodireito como áreas tão relevantes quanto a biotecnologia.
Faz-se necessário, portanto, que a ONU – Organização das Nações Unidas – crie um evento de debate sobre o equilíbrio entre bioética e biotecnologia, por meio de discursos e palestras interdisciplinares de filósofos, médicos, especialistas em direito, entre outros pesquisadores. Esses debates devem acontecer anualmente e contar com convidados de diversas nacionalidades. Espera-se, com isso, não apenas proporcionar um desenvolvimento pautado pela cautela e deliberação, como também ir ao encontro do futuro previsto por Herbert em sua obra.