Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 16/12/2020
Desde o surgimento do Iluminismo, no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. De maneira símil, a questão do crime de abuso sexual ocorrido no Brasil aponta que os ideais, pregados por esse motim, são atestados na teoria, mas não preferívelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pelo trabalho forçado em casas de prostituição e, também, pelo alto número de abusos sexuais acometidos por entes da própria família. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, que o aumento de crianças e adolescentes inseridos na prostituição, deriva de uma inércia governamental. Segundo Aristóteles, a política deve ser uma arte de se fazer justiça e, com ela, levar equilíbrio para a sociedade. De maneira símil, é possível perceber que a condição de extrema pobreza presente em algumas famílias do interior desfaça essa harmonia, haja vista que, na esperança de uma vida melhor, crianças e adolescentes são enganados por cafetões e cafetinas, levados para outras cidades e obrigados a trabalharem como profissionais do sexo, além de terem que repassar quase todo o lucro para os donos das casas noturnas.
Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Líquida”, na qual as relações sociais são superficiais e não duradouras, se evidencia quando, de acordo com o Ministério da Saúde, de cada 100 notificações de violência sexual sofrida por adolescentes, 38 foram cometidos por pessoas com algum vínculo familiar com a vítima. O caso é agravado quando, por exemplo, o abusador é o único provedor financeiro do lar, uma vez que, com medo de não conseguir sustentar a casa, a mulher se cala diante das violências cometidas com seus filhos e desiste de denunciar.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca dos desafios no combate a violência sexual seja imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Nessa lógica, é imperativo que os poderes legislativo, executivo e judiciário, em uma ação conjunta, elabore um plano de ações para frear o abuso sexual no Brasil, promovendo palestras nas escolas de todo o país, ministradas por psicólogos e médicos, com o intuito de instruir as crianças e adolescentes sobre o que é o problema, como evitá-lo e onde denunciar. Além disso, esse plano deve fornecer ajuda financeira para famílias na qual o estuprador denunciado seja o único provedor financeiro. Essas medidas, encorajarão pessoas a denunciar, já que elas terão discenimento e ajuda tanto financeira quanto profissional.