Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 17/12/2020

O livro “Lolita”, do autor russo Vladimir Nabokov, descreve a história de Humbert, um pedófilo de meia-idade que se sente atraído por Dolores, sua enteada de 12 anos. Apesar de ser um livro de ficção, a situação descrita ocorre constantemente no Brasil contemporâneo. São comuns casos de abuso sexual infantil, cenário que gera traumas físicos e psicológicos às vítimas. Esse imbróglio é reforçado pela negligência da sociedade e pela má educação sexual nas escolas.

Em primeiro lugar, é necessário analisar a atuação da sociedade perante os casos de abuso sexual. O livro “Utopia”, do autor inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, em que o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que o autor prega, já que o comportamento pedófilo é frequente na sociedade. Sendo assim, observa-se que é comum que os abusos ocorram dentro da própria casa da vítima por algum parente próximo. Dessa maneira, a vítima continua sendo abusada sem que ninguém saiba ou com o consentimento de outros parentes, o que dificulta a realização de denúncias. Como consequência, a criança pode ser violentada até a idade adulta e carregar traumas pelo resto de sua vida, o que gera problemas como depressão e suicídio.

Outrossim, destaca-se a má educação sexual no sistema educacional. De acordo com Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, a educação é a maior arma para mudar o mundo. É lógico, portanto, que os ensinamentos sobre o corpo e sexualidade são fundamentais para que uma criança abusada saiba o que está acontecendo com ela. Nesse contexto, uma criança sem os conhecimentos necessários pode ser levada pelo abusador a acreditar que os abusos são normais ou necessários, o que intimida a vítima a denunciar. Embora a eduação sexual seja fundamental para a segurança de crianças, muitas pessoas acreditam que seu ensinamento nas escolas é maléfico e levam a uma iniciação sexual precoce, o que não condiz com a realidade e perpetua os casos de pedofilia no Brasil.

É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. O Estado, por meio do Ministério da Educação, deve criar um amplo programa de educação sexual infantil, orientando nas escolas sobre abusos e como denunciar os casos, visando que as elas tenham consciência de quando estão sendo abusadas e realizem as denúncias. Além disso, ele deve, por meio do Ministério da Saúde, oferecer de maneira facilitada tratamento psicológico às vitimas, para que os traumas gerados pelas agressões sejam amenizados. Com essas medidas sendo tomadas, a sociedade daria um passo à frente para garantir segurança e dignidade às crianças.