Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 18/12/2020
No contexto histórico da escravidão, os senhores de engenho utilizavam seu domínio sobre os escravos para fins sexuais, fato que contribui para objetificação dos cativos; haja vista que os escravizados não podiam ter a liberdade de escolha. No Brasil, a permanência dos desafios no combate ao abuso sexual infantil reforça que essa violência ainda é visível e os fatores que contribuem para o enfrentamento são: a negligência familiar e a omissão estatal no que diz respeito à instituição escolar.
Precipuamente, é válido ressaltar que de acordo com o Artigo 227 da Constituição Federal, é dever da família e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com prioridade, o direito à vida, à dignidade e ao respeito, além de colocá-los a salvo de toda forma de violência e negligência.Todavia, a indiligência familiar é um fator nevrálgico para a permanência dessa brutalidade voltada para as crianças, pois, teoricamente, deveriam oferecer o suporte necessário para um desenvolvimento saudável. Segundo divulgação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 79% dos casos ocorrem na residência das vítimas, ou seja, verifica-se uma desestruturação familiar, porquanto, conforme o IPEA, 70% dos agressores são os próprios familiares.
Somado a essa ideia, pode-se inserir a ausência de educação sexual nas escolas como coeficiente preponderante para a persistência da problemática. Além disso, a instituição escolar enfrenta grandes empecilhos para a implantação dos parâmetros da disciplina em sua grade curricular, pois há a permanência de estereótipos sociais que contribuem para que a desinformação progrida. Com base nisso, segundo o empirismo crítico de John Locke, a mente humana é como uma folha em branco, desprovida de conteúdo, sendo assim, após o conhecimento as ideias ficam “impressas”. Portanto, torna-se urgente que a educação sexual faça parte da formação identitária das crianças, de acordo com a teoria do filósofo inglês.
Destarte, algumas das soluções cabíveis ao tema são políticas públicas de intervenção do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - principal órgão de garantia dos direitos -, por meio da fiscalização no atendimento da população infantojuvenil, a fim de garantir um bem-estar para a criança no ambiente familiar. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a instituição escolar, a implantação da educação sexual nas escolas brasileiras, por intermédio de reuniões e palestras informativas para os pais, com o fito de alcançar uma diminuição na desinformação. Por fim, assim poder-se-á amenizar os casos de abuso sexual que acontecem desde a escravidão, efetivar a Carta Magna e, por fim, preencher a folha em branco com orientação para os pueris, conforme Locke.