Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 20/12/2020

O filme “Precious” retrata a história de Clairece, uma jovem que enfrenta diversos problemas de socialização devido aos constantes abusos sexuais e agressões que foi submetida quando adolescente.  Fora das telas, apesar da existência de um Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), essa realidade se repete, diariamente, na vida de muitas crianças no Brasil. Dessa forma, a deficiência de profissionais capacitados a reconhecer o assédio sexual infantil, e a falta de um atendimento psicológico contínuo para as vítimas atuam como agravantes do atual cenário.

Em primeira análise, vale ressaltar que há muitas situações em que o assédio sexual passa despercebido. Nessa perspectiva, os profissionais das mais diversas áreas precisam saber reconhecer os sinais dados pelas crianças quando estão sendo vítimas desse tipo de violência. Dito isso, o Ministério da Saúde indica que mais de setenta por cento dos casos reportados acontecem na própria residência que a criança ou adolescente habita. Dessa maneira, é indispensável que os profissionais da educação e saúde estejam aptos a perceber quando o jovem demonstra comportamentos que possam indicar que algum tipo de abuso está acontecento, para que seja feita a denúncia posteriormente.

Ademais, outro ponto relevante é escassez de apoio psicológico às crianças que sofrem violência sexual. Nesse sentido, o jornal Folha de São Paulo relevou que mais de cinquenta e cinco por cento das cidades brasileiras não possuem um psicólogo fixo nas unidades de saúde. Dessa forma, a população, especialmente, as crianças vítimas de abuso, fica desamparada psicologicamente e exposta a carregar traumas por toda a vida, como os da própria personagem Clairece. Esses traumas podem produzir desde medos inexplicáveis até a perda total da sociabilidade do indivíduo. Tal falto demonstra o quão importante é fornecer amparo às vítimas para ajudá-las a lidar com a dor e evitar que se tornem propagadoras da mesma violência futuramente.

Portanto, o Estado deve tomar medidas para a melhoria da situação. Com isso, o Ministério da Saúde deve capacitar os profissionais da saúde e educação para reconhecer as suspeitas de abuso sexual e fornecer psicólogos a todos os municípios, por meio de uma parceria com os municípios para a contratações de psicólogos, que atendam a população e ministrem palestras indicadoras dos sinais mais comuns de violência sexual, aos profissionais nas escolas e nas unidades de saúde, a fim de reduzir o número de casos omissos e frear, de fato, o abuso sexual infantil na sociedade brasileira.