Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 17/07/2020

A obra literária “O cortiço” de Aluisio de Azevedo, retrata a vida de moradores de estalagens que vivem em péssimas condições de higiene. Fora da ficção, a falta de informação, saneamento básico e desigualdade territorial, representa um grande desafio para a saúde pública no Brasil, uma vez que, tais fatores  acarretam em surgimento de epidemias.

A priori, consoante a Constituição de 1988, é dever do Estado garantir políticas que visem a redução do risco de doenças. Todavia, tal prerrogativa legal não tem reverberado com ênfase na prática, dado que conforme o Ministério de Saúde, o país registrou mais de 500 mil casos de dengue. Assim, evidencia-se que os principais percalços para o Estado controlar as epidemias, deve-se as poucas informações dos brasileiros sobre medidas preventivas que reduzem a proliferação do vetor. Além disso, o saneamento básico é também um direito assegurado pela contituição. Contudo, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, o país ainda tem quase 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada e sem coleta de esgoto, tal negligência é ainda maior nas regiões mais remotas do Brasil. Dessa forma, a falta de saneamento adequado, e o não conhecimento, gera grandes impactos na higiene da população e  no aumento de doenças.

Ademais, de acordo com o filósofo Dalai Lama, a responsabilidade de todos é o único caminho para a sobrevivência humana. Sendo assim, faz-se imperioso implementar práticas coletivas que evitam a disseminação de vetores, como não deixar água parada, fazer o descarte do lixo corretamente. Entretanto, se não efetivada tais medidas, cria-se um terreno fértil para o ressurgimento de males antes erradicados. Logo, a divulgação do conhecimento tem papel primordial na dissolução dessa problemática.

Portanto, com o intuito de cercear os desafios na saúde pública  e controlar as epidemias no Brasil, urge que o Ministério da Saúde crie campanhas publicitárias, por meio de rádio, televisão e redes sociais que saliente a importância de adotar práticas que diminuem o risco de criar um ambiente favorável ao vetor, de modo que, mantenha esclarecida toda informação sobre as causas e consequências de tal problema. Adjunto a isso, faz imprescindível que haja um programa de alargamento do saneamento básico, principalmente nas regiões mais longínquas, como o Nordeste e o Norte do Brasil. Sendo desse modo, a realidade brasileira será diferente daquela vivida pelos moradores do cortiço.