Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 01/07/2020
“Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são”. Essa frase, embora faça parte da romance literário “Macunaíma”, do escritor Mário de Andrade, torna-se um marco da dimensão socioestrutural da sociedade brasileira, já que o combate às epidemias consolida-se como um desafio na saúde pública. Tal situação é fortemente agravada não só pelo comportamento inercial do Estado, mas também devido à falta de prevenção a vários tipos de doenças. Diante desse cenário desarmônico, é primordial que medidas sejam tomadas para usurpar essas mazelas sociais.
É fulcral destacar, a princípio, como a letargia governamental corrobora para a manutenção e o crescimento de epidemias nacionais. Isso se evidencia na falta de planejamento da esfera municipal em prevenir e remediar surtos de várias doenças nas diferentes regiões do Brasil, a exemplo da Dengue e Zika, uma vez que somente a fiscalização domiciliar não é suficiente. Estas, em razão desse comportamento nefasto, emergem na saúde pública e sobrecarregam o SUS. Assim, é lamentável que um direito constitucional -saúde- seja refutado por problemas estruturais da organização estatal.
Ademais, é indubitável que a despreocupação de parte significativa da população contribui com o crescimento desproporcional das epidemias. Exemplo disso, é a região Sudeste, onde mais da metade dos criadouros de mosquito do gênero Aedes estão nos reservatórios domiciliares. Tal situação demonstra, já apresentada pelo escritor do romance “Macunaíma”, a negligência da esfera social em cooperar no combate aos problemas de saúde. Logo, se há irresponsabilidade social, não é estranho a reincidência até mesmo de doenças já erradicadas da pátria tupiniquim.
Depreende-se, portanto, que é necessário uma análise socioestrutural das regiões brasileiras para conter quadros epidêmicos. Para tanto, o Ministério da Saúde - órgão governamental responsável pela ação e administração na saúde brasileira- deve analisar o perfil de todas as cidades do país, por meio de infográficos de empresas ligadas às estatísticas da população, com o fito de reconhecer a dinâmica populacional dos municípios e agir de forma efetiva no combate às epidemias do território nacional. Além disso, compete à esfera social garantir a segurança sanitária nas áreas privadas, devidamente orientada pelas mídias locais, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Feito isso, poder-se-a ter um país fiel aos ditames da Constituição.