Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 01/07/2020

Em 1904, a cidade do Rio de Janeiro enfrentava a peste bubônica e, com isso, o governo impôs a obrigatoriedade da vacina, permitindo que médicos invadissem as moradias da população, o que gerou grandes revoltas. Atualmente, o Brasil ainda sofre com a presença de epidemias, como a da Covid-19, mas a população brasileira encara vários desafios na saúde pública que dificulta o enfrentamento de tais doenças. Dentre eles, destacam-se a falta de saneamento básico em várias regiões do país e a ineficiência do Estado em investir corretamente nos estabelecimentos de saúde pública.

Primeiramente, vale ressaltar que 48% da população brasileira não possui coleta de esgoto, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Desse modo, a disseminação de doenças pelo território nacional é mais rápida, afinal, sem saneamento básico os alimentos e a água são poluídos mais facilmente, infectando cada vez mais pessoas sem que elas percebam. A partir disso, então, é crucial que o governo organize-se melhor no tratamento das ruas e no descarte de lixo, para assim fazer que epidemias não se espalhem facilmente.

Além disso, é fato que o Brasil está cortando vários recursos da saúde pública, permitindo que epidemias se manifestem mais assombrosamente. De acordo com o Banco Mundial, o Brasil investe 4% do seu PIB para esse âmbito, enquanto países como a Alemanha investem 20%. Por consequência disso, o SUS sofre diversos prejuízos, como a falta de profissionais e de infraestrutura. Assim, em tempos epidêmicos, a parte da população que depende exclusivamente do SUS – cerca de 152 milhões de pessoas, de acordo com o CNS – teria que enfrentar as doenças de uma maneira deficiente, afinal, ficariam muito tempo esperando por atendimento, e acabariam contaminando mais indivíduos. Em uma visão mais pessimista, porém realista, grande parte das pessoas morreriam apenas por conta da ineficiência do governo, que não disponibilizou para toda a população uma saúde de qualidade. Portanto, é muito necessário que o governo revise seus investimentos nessa área, a fim de fortalecer a estrutura dos hospitais públicos e, assim, tornar mais efetivo o enfrentamento contra epidemias.

Então, de frente a tais fatores, medidas precisam ser tomadas para resolver o impasse. É dever dos líderes executivos proporcionarem um melhor tratamento sanitário nos esgotos e nas ruas, por meio de serviços voluntários, a fim de garantir que a contaminação nos lixos, nos alimentos e na água seja diminuída. Ademais, urge que os membros do governo federal invistam mais dinheiro nos setores de saúde pública, por meio de uma parcela de seus próprios salários, com o objetivo de promover melhor estrutura aos hospitais. Destarte, eliminaremos grande parte dos desafios na saúde e, assim, lidaremos com doenças epidêmicas de uma maneira muito mais segura.